Teoria Moderna do Portfólio

21/05/2020

 

Uma das principais preocupações de qualquer investidor ou gestor de carteiras é a relação entre o risco e o retorno, ou seja, como minimizar o risco para um determinado nível de retorno desejado. Pensando exatamente nessa questão, o economista Harry Markowitz desenvolveu a chamada Teoria Moderna do Portfólio, que trata da diversificação de ativos e mostra porque diversificar é fundamental para minimizar riscos.  Esta teoria revolucionou o mundo das finanças e Markowitz foi laureado com o prêmio Nobel de Economia em 1990, como um reconhecimento por suas contribuições. Vamos entender as ideias desenvolvidas por Markowitz e porque elas são tão importantes no mercado financeiro. 

 

Antes de tudo, é necessário compreender os principais conceitos que foram utilizados para a elaboração da Teoria Moderna do Portfólio, esses conceitos são: retorno desejado (ou esperado), risco e correlação. O retorno esperado é o quanto um investidor espera receber de acordo com um dado nível de risco que ele assume, exemplificando: o retorno esperado ao investir em ações é maior do que o esperado ao investir em títulos de renda fixa, pois ações são mais arriscadas e historicamente apresentam resultados superiores. Em relação ao risco, Markowitz mede essa variável como o desvio padrão de cada componente da carteira em relação ao seu retorno médio. Assim, ativos mais arriscados são aqueles que apresentam um maior nível de volatilidade, ou seja, que oscilam mais em relação à média. Por fim, a correlação mede como os ativos se movem de forma conjunta, podendo variar de -1 até 1. Uma correlação próxima a -1 indica que os ativos têm comportamentos opostos, quando um se valoriza o outro de desvaloriza e vice-versa. Já uma correlação próxima a 1 indica que se movem conjuntamente. Se o valor for próximo de zero, simplesmente não há uma correlação. Com estes conceitos em mente, vamos ao entendimento do estudo feito por Harry. 

 

A grande contribuição feita por Markowitz foi provar, via cálculos e modelos matemáticos, que o retorno de um portfólio não depende apenas dos riscos e resultados individuais de cada um dos componentes da carteira, mas também da correlação que apresentam entre si. Ou seja, a forma como os ativos se comportam em conjunto é tão importante quanto seus riscos e resultados individuais. Essa ideia pode ser facilmente entendida ao analisar um portfólio formado por dois ativos, por exemplo: o BOVA11, que replica o rendimento do Ibovespa, e o dólar. No geral, esses dois ativos tem uma correlação negativa, quando o dólar se valoriza o Ibovespa se desvaloriza e vice-versa. Um investidor pode maximizar sua relação entre risco e retorno ao colocar parte de seus recursos no BOVA11 e parte em dólar, assim estará mais protegido em momentos de crise, como o momento atual da pandemia do COVID – 19. Na prática, a maioria dos portfólios são formados por diversos componentes, sendo que para cada nível de risco existe uma composição ideal da carteira que maximiza seu retorno. Essa composição ideal constitui um conjunto de pontos, formando a chamada fronteira eficiente. Estar nessa fronteira seria, então, o objetivo de todos investidores e gestores, já que essa seria a melhor opção dentre todas carteiras existentes.   

 

 

 

Para aplicar a Teoria Moderna do Portfólio é preciso diversificar os recursos investidos de diversas maneiras, para obter a melhor correlação entre os componentes da carteira. Existem diversos tipos de diversificações, as principais são: entre classes de ativos e entre setores da economia. Diversificar em classes de ativos consiste em investir nos variados ativos disponíveis no mercado, como ações, moedas estrangeiras, títulos de renda fixa, fundos de investimento imobiliário, etc. Assim, por exemplo, é possível proteger sua carteira com títulos de renda fixa quando a bolsa está em baixa e, por sua vez, maximizar os retornos do portfólio quando as ações estão em alta. Já a diversificação entre diversos setores da economia reduz os riscos que o investidor está exposto ao comprar ações de um determinado setor. Um exemplo clássico são as empresas do setor de aviação. As companhias áreas são extremamente prejudicadas com a alta do preço do barril de petróleo, já que afeta diretamente o custo com combustíveis, o que reduz os lucros dessas empresas. Uma diversificação inteligente seria comprar uma empresa que se beneficia com a alta do preço do barril do petróleo, um exemplo seria a Petrobrás. Se o preço do petróleo cair o oposto acontece, ou seja, a empresa área se beneficiaria e a Petrobrás seria prejudicada. Dessa forma, investir no setor de aviação e no setor de petróleo reduz o risco de exposição em cada um desses setores. Além disso, quanto maior o número de ativos que compõe o portfólio, menor o risco da carteira. 

 

Porém, existe um risco que não é diversificável, é o chamado risco sistemático. Ele está relacionado ao desempenho geral da economia, afetando o mercado como um todo. A pandemia causada pelo COVID – 19 é um exemplo desse risco, pois afeta todos os ativos e setores da economia global, sendo um evento imprevisível em que a diversificação se mostra ineficaz. 

 

 

 

Assim, fica claro a importância da Teoria Moderna do Portfólio para a alocação de ativos de uma forma racional e eficiente, visando uma maximização do retorno e, ao mesmo tempo, uma minimização do risco. Esta teoria ilustra a necessidade fundamental da diversificação para a obtenção de melhores resultados no mercado financeiro, mas ao mesmo tempo nos mostra que certos eventos são imprevisíveis e não-diversificáveis, como é o caso da pandemia que está assolando o mundo neste ano de 2020.

 

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