Green Bonds e o Mercado de investimentos sustentáveis

02/04/2020

 

Com o crescente interesse no mundo em encontrar investimentos que visam incentivar a sustentabilidade, os investidores certamente ouvirão com mais frequência daqui para frente a expressão “títulos verdes”. De forma geral esses títulos são semelhantes aos tradicionais porém se diferenciam em um ponto bem importante: o tipo de projeto que ele financia. Diferente dos títulos comuns os fundos captados por títulos verdes destinam seu capital a projetos que favorecem o meio ambiente. O investimento pode ser feito por meio de Títulos do Tesouro, debêntures, debêntures incentivadas (de infraestrutura), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) - como por exemplo, no caso do dinheiro captado ser usado para financiar a construção de uma usina de dessalinização de água que abastece uma cidade.

 

Segundo a Climate Bonds Initiative (CBI), em 2019 as vendas globais de títulos verdes foram de 257,5 bilhões de dólares, cerca de 50,7% a mais do que 2018 que obteve US$ 170 bilhões. A CBI, uma organização sem fins lucrativos que almeja fomentar o investimento em soluções sustentáveis para as mudanças climáticas, estima que para este ano a expectativa é de US$ 350 a US$ 400 bilhões. Existem vários fatores que atraem cada vez mais novos investidores para esse mercado em expansão. Um deles é o aumento da preocupação com questões ambientais por players mais tradicionais, os quais vêm aumentando o portfólio de seus investimentos em projetos que estão de acordo com os parâmetros ESG e que têm baixa emissão de CO2. Vale ressaltar, que segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto CFA em 2018, a tendência é que a demanda por projetos que abrangem questões ambientais aumente até 2022 tanto quanto para questões de governança.

 

Além disso, o entendimento do real risco desses títulos tem mudado bastante pois, assim como outros títulos emitidos por uma companhia, eles são garantidos pela credibilidade da empresa, logo o risco do título não é principalmente do projeto mas sim da empresa. Outro ponto importante que vem se alterando na mentalidade do mercado é a ideia de que os investimentos em empreendimentos sustentáveis possuem rentabilidade inferior aos outros, porém, na verdade, não é isso que ocorre, pois os títulos verdes possuem rentabilidade igual ou até superior aos demais oferecidos no mercado.

 

Já no Brasil, mais de 85% da população vive em centros urbanos e a rápida expansão destas regiões do país requer um estabelecimento considerável de infraestrutura nas próximas décadas. A não incorporação dos impactos da mudança do clima no planejamento da infraestrutura apresenta sérios riscos econômicos em nível nacional, o que pode resultar em graves perdas econômicas. O Brasil tem um potencial de investimento verde estimado em USD 1,3 trilhões nos setores de energia, transportes, construção, gestão de resíduos e eficiência energética industrial, com base nos compromissos climáticos estabelecidos em sua Contribuição Nacionalmente Determinada do Acordo de Paris. Porém, segundo o relatório da CBI - Oportunidades de Investimento em Infraestrutura Verde BRASIL 2019 - mais de 75% dos investimentos verdes do Brasil está concentrado nas áreas de Energia e Uso da terra, portanto a maior parte desse potencial de crescimento está relacionado às áreas de energia renovável e infraestrutura urbana, incluindo transporte público, gestão de recursos hídricos e de resíduos.

 

Conforme a CBI, o Brasil possui o maior mercado de títulos verdes da América Latina e do Caribe (ALC), com seus US$ 5,6 bilhões representando 41% de todas as emissões da região até agora e o seu primeiro título verde emitido em junho de 2015 . O país também concentra a muitas das maiores operações da ALC, com 6 dos 11 títulos de referência da região emitidos por entidades brasileiras, incluindo o BNDES (USD 1 bi); a Fibria, que agora faz parte da Suzano (USD 700 mi); e a BRF.

 

Durante a viagem a Nova York na última semana de novembro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que 2020 deve ser a hora de os Green Bonds acontecerem no Brasil pois com o andamento da Medida Provisória 897(MP) o mercado de crédito rural brasileiro terá seu portfólio de produtos ofertados aumentado e com isso se abriria uma ótima oportunidade para impulsionar o uso desses títulos.

 

Sendo assim, de fato a tendência do mercado de investimentos alternativos para o Brasil e para o mundo será de acordo com a nova economia sustentável e caberá aos investidores exigir cada vez mais ativos que fomentam a transição da economia marrom para verde para que ela deveras aconteça.

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