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Fintechs: Evolução ou Revolução?

30/10/2019

 

   É fato que o mercado financeiro desperta pensamentos diversos na população brasileira. Concepções como a aversão à concentração bancária e a sensação de ineficiência dos serviços prestados por bancos são temas de debates públicos e pilares de campanhas políticas, o que leva a uma noção geral de que o setor de bancos de varejo apresenta falhas estruturais.

   Entretanto, com a entrada e a saída de empresas, como o HSBC e o Citi, percebeu-se que, para se alterar o status quo dos serviços bancários no Brasil, o qual conta com players extremamente consolidados e rentáveis, seria necessária uma disrupção concreta. Nesse contexto, uma nova indústria se tornou uma aposta para a desconcentração ou até mesmo para uma reconfiguração completa do setor de bancos de varejo: a das fintechs. 

   Essas empresas, que visam integrar tecnologias recentes à prestação de serviços financeiros, possuem um modelo de negócios que, por ser baseado em meios digitais, enfrenta menos barreiras de entrada e pode expandir a base de clientes e os produtos com facilidade. Com isso, surgiram inúmeras startups em quase todos os segmentos do mercado financeiro, com destaque para as áreas de Cartões, Crédito, Serviços Digitais, Meios de Pagamento, Risco e Compliance.

   Apesar de ter florescido no Brasil, que em maio de 2019 contava com 553 fintechs, esse mercado ganha força a nível global. Com um volume de transações diário de 1 bilhão de dólares e 111 bilhões de dólares investidos, a percepção de que as startups voltadas ao mundo das finanças têm um grande potencial de desenvolvimento passa por todo o planeta. O destaque vai para a atividade de venture capital, que obteve os níveis mais altos já vistos de capital investido no segundo trimestre de 2018. Isso ocorreu em virtude dos 14 bilhões de dólares investidos na Ant Financial, uma empresa controlada por Jack Ma, a qual obteve o título de startup mais valiosa do mundo ao ser avaliada em US$ 150 bilhões, aproximadamente o dobro da Uber, que ocupa a segunda colocação.

   O segmento já conta com diversas empresas “unicórnios”, ou seja, com valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares. Embora a maior parte delas ainda se concentre nos EUA, elas estão espalhadas pelo mundo, que atualmente tem entre 40 e 50 empresas desse porte. Um grande destaque é o crescente protagonismo da China, que teve 8 dos 10 maiores levantamentos de fundos, tem em Pequim o maior hub global de fintechs -título dado em virtude de um alto número de companhias-, um volume de investimentos expressivo e um ecossistema dinâmico de interação com universidades e instituições financeiras.

   O Brasil, apesar de ainda ser pouco relevante ao se considerar indicadores como o total de volume investido e a relação deste com o PIB, ganhou relevância na indústria ao originar o Nubank, a PagSeguro e a Stone, que, juntos, valem mais de US$ 24 bilhões. O mercado consumidor grande e o protagonismo na América Latina, evidenciado pela recente entrada do Nubank na Argentina e no México, são os principais fatores responsáveis pelo sucesso dessas empresas, que colocaram o país em destaque em termos de valor de companhias e a cidade de São Paulo como o hub regional de fintechs na América Latina.

   Ao ser comparado com o resto do mundo, o cenário de fintechs brasileiro é referência quando se trata da adesão de usuários, mas fica atrás da maioria dos outros hubs globais e regionais quando se trata de investimentos, digitalização de instituições financeiras, potencial futuro de desenvolvimento de empresas e atenção governamental recebida. Isso demonstra que o crescimento do segmento no Brasil é diretamente relacionado à integração de universidades ao ecossistema e a uma regulação que incentive o surgimento e o crescimento das companhias. 

   Ainda assim, as empresas que já se estabeleceram por aqui provocaram mudanças importantes. Enquanto a PagSeguro e a Stone iniciaram uma guerra de preços que aumentou drasticamente a competitividade no ramo de meios de pagamento, o Nubank liderou uma onda de bancos digitais cujo os cartões de crédito são usados por 21% dos consumidores brasileiros. Fatos como esses geram preocupação para as empresas tradicionais, uma vez que os fatores preço e experiência do usuário, considerados cruciais para a competitividade de um negócio em setores de varejo, são os principais diferenciais das fintechs.

   Porém, vale ressaltar que a ascensão das fintechs provavelmente não vai acabar com os grandes bancos e outras empresas tradicionais. Além do fato de que as grandes companhias dominam áreas diversas que geralmente excedem os mercados das fintechs, é provável que grandes disrupções sejam contidas por aquisições e serviços próprios. Tais expectativas se convertem em análises que, apesar de citarem o avanço das startups como um risco para os grandes bancos, citam a solidez de retornos e o conhecimento de mercado destes como um fator capaz de manter recomendações positivas. Assim, é mais possível afirmar que, ao invés de revolucionarem o mercado financeiro do país, as fintechs serão uma peça-chave para a evolução dos serviços por ele prestados, aumentando a competição e dinamizando a oferta de produtos.

   Ao se olhar para 2019, tem-se como uma das principais tendências a consolidação de empresas já atuantes e o aproveitamento do open banking, que consiste no compartilhamento de dados de clientes entre todas as empresas do setor e já começou a ser implementado pelo Banco Central. De qualquer modo, é importante que as consequências já sentidas pelo mercado e as que ainda podem estar por vir sejam analisadas por todos os envolvidos.

 

 

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