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O novo Green Belt

 

     O ano de 2018 foi digno de comemorações para a indústria da cannabis legal. Fruto de uma base de mais de 263 milhões de consumidores anuais, a demanda global da erva é estimada em 344,4 bilhões de dólares. O produto, outrora um tabu, foi motivo de uma euforia que não era vista desde a onda dos bitcoins. Altos investimentos públicos e privados para pesquisa e o desenvolvimento de formas alternativas de consumir maconha, como tinturas, óleos, vapes e outros comestíveis, devem reforçar positivamente o crescimento de um promissor “green belt”.

     As especulações tomaram força com a crescente onda de legalizações ao redor do mundo. Em 2012, o Uruguai foi o pioneiro a regulamentar o uso recreativo de maconha. Mais tarde, no mesmo ano, eleitores do estado de Washington e do Colorado se tornaram os primeiros nos EUA a apoiar a venda da erva para uso não medicinal. Desde então, mais 22 países liberaram a droga para tais fins. Atualmente, nos EUA, 33 das 50 unidades federativas permitem o uso terapêutico, sendo que 10 delas também permitem o uso recreativo. Entretanto, o “boom” dessa indústria ficou mais evidente após a legalização do consumo recreativo de cannabis no Canadá, considerado o centro comercial da maconha legal no mundo. 

     O potencial de crescimento desse setor provém, não só da demanda de novos consumidores, mas também da migração de um público antes dominado pelo mercado negro. Um estudo realizado pela Marijuana Policy Group (MPG), no Colorado, confirmou que após dois anos da legalização, as vendas do mercado desregulado sofreram uma retração de aproximadamente 41%. Nesse ritmo, o comércio da cannabis no Colorado movimentou cerca US$1,5 bilhões e gerou US$247 milhões em impostos em 2017. Além disso, a maconha medicinal representa uma oportunidade significativa para as operações do setor, estima-se que 10% da população mundial sofre de doenças que podem ser tratadas com derivados da cannabis, ou seja, um possível mercado de mais de 100 milhões de pacientes.

     Seguindo essa tendência, espera-se que o valor de mercado mundial da maconha legal chegue a US$ 146,4 bilhões até o final de 2025, segundo um o relatório da Grand View Research. Algumas análises estimam um CAGR entre 26% e 32% para o mercado da cannabis nos próximos quatro anos. Essas proxies chamaram atenção de gigantes do varejo. A Altria, fabricante da Marlboro, investiu US$1,8 bilhão na Cronos Group. Em agosto de 2018, a Constellation Brands, dona da Corona e de outras cervejas, pagou US $ 4 bilhões por 38% da participação na Canopy Growth, outra empresa canadense de maconha. No mesmo mês, a Molson Coors, outra cervejaria, formou uma joint venture com uma empresa de cannabis em Quebec. E, até mesmo, a Coca-Cola, já mostrou interesse em CBD, derivado da cannabis, para fazer infusões em bebidas. 

     Em meio a um cenário competitivo, alguns players que operam no mercado legal de maconha abriram seu capital na TSE e na NYSE, entre os principais estão a Canopy Growth Corporation, Aphria, Aurora Cannabis, Maricann Group, Tilray, The Cronos Group, Organigram Holdings e Tikun Olam. Entretanto, é preciso analisar se não estamos diante de um otimismo exagerado que pode fomentar uma bolha especulativa. O caso da Tilray, ilustra a euforia, de certo modo exacerbada, do setor. Em junho de 2018, os papéis da canadense eram negociadas em, aproximadamente, US$30 e, após três meses, no dia 19 de setembro (um mês antes da legalização da maconha no Canadá) as ações da empresa tiveram uma alta fechando o valor de US$233.                Entretanto, após esse pico, as ações da companhia sofreram uma queda brusca, e nos últimos meses está sendo negociada, em média, por US$50. Além disso, algumas empresas desses segmentos vêm sofrendo com aumento consecutivo dos custos e ainda estão longe de uma margem EBITDA positiva.

     É importante salientar que a maior demanda de cannabis provém do mercado asiático devido a suas características demográficas. Entretanto, esse continente concentra diversos países cujo governos apresentam forte cunho conservador quanto à legalização da droga. Essas barreiras jurídicas e culturais são extremamente relevantes para as empresas da maconha legal, dado que o mercado asiático é estimado em US$132,4 bilhões, ou seja, 39% da demanda global.

     De todo modo, embora as perspectivas do setor sejam extremamente promissoras, ainda há controvérsias que circundam esse tema uma vez que essa jovem indústria ainda terá que lidar com os riscos políticos, jurídicos e culturais para progredir sua expansão. Em decorrência disso, as empresas sofrem com a volatilidade fortemente relacionada às tramitações das leis que regulamentam a cannabis. Portanto, os grandes players deverão ser cautelosos ao iniciar as estratégias de internacionalização, para que seus resultados futuros façam jus às expectativas.                

   

 

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