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Um ano delicado para a Argentina

21/08/2019

 

     Ao se falar sobre a economia da Argentina, muitos pensamentos podem vir à nossa mente. Endividamentos, calotes e recessões são fatos que marcam à história recente desse país que já atravessou inúmeros períodos de instabilidade e passa por um ano crucial no que se trata de economia e finanças . Antes de tudo, é importante relembrar o histórico de nossos vizinhos ao sul. Desde o ambiente de relativa prosperidade do início do século XX, no qual os argentinos detinham um PIB per capita que superava o de países como Alemanha e França, a Argentina passou por várias mudanças radicais de governo e crises econômicas, como a hiperinflação de 1989 e 1990 e a falência do governo em

2000.

     Nos dias atuais, o cenário também é delicado. Fatores como o crescimento veloz da pobreza, a desvalorização desenfreada do peso frente ao dólar, o crescente nível de endividamento do governo e a alta da taxa básica de juros - a Leliq - a um patamar semelhante ao da virada do século indicam que o país tende a perder ainda mais o protagonismo regional do qual desfrutava há cem anos.

     Para os analistas do mercado, a principal causa dessa situação é o gerenciamento da economia pelo governo de Cristina Kirchner, que presidiu o país entre 2007 e 2015. A sua política econômica, que se baseava no Estado como forte interventor, gerou um cenário de descontentamento que levou ao triunfo de Mauricio Macri, ex-prefeito de Buenos Aires que teve como uma de suas principais bandeiras a condução responsável da economia, o que o colocou como uma alternativa ao kirchnerismo. Entretanto, as políticas do governo Macri, marcadas pela austeridade, não foram capazes de reverter as tendências negativas. Índices como a inflação e o endividamento do governo atingiram níveis recordes e fatores como a lenta recuperação da balança comercial preocupam os que apostaram em uma retomada do crescimento sustentável em um dos mercados mais importantes da América Latina.

     A esse cenário se soma um fator extremamente relevante: as eleições presidenciais de outubro, que tinham Macri e Kirchner como principais nomes. Até maio, quando a ex-presidente surpreendeu as expectativas e anunciou que seria candidata a vice do menos conhecido Alberto Fernández, as pesquisas eleitorais apontavam para uma confortável vitória da ex-presidente.  Essa tensão gerou uma intensa preocupação para o mercado, que teme a retomada da política econômica anterior, mas o desfecho segue incerto à medida que pesquisas voltaram a apontar uma vantagem de Macri.

Ainda assim, vários fatores importantes devem ser observados ao se analisar o processo eleitoral argentino.“Dentre eles, os entraves judiciais enfrentados por Kirchner, que se mantém fora das grades devido ao seu atual cargo como senadora, e a força dos candidatos de “terceira via”, que, embora tendam a perder com a polarização da disputa, são cada vez mais cotados para protagonizarem as eleições devido à rejeição e controvérsia envolvendo seus dois atores principais, Kirchner e Macri, Além disso, a Economia do país é instável, com um histórico de reviravoltas, e estas mudanças podem afetar subitamente a popularidade do governo, o comportamento de Macri e a opinião popular – nesse quesito, uma aproximação com Jair Bolsonaro, por exemplo, é capaz de aumentar a popularidade entre os setores mais conservadores e prejudicá-la entre os mais moderados -, sendo capaz de inviabilizar sua reeleição - fato que, por não ser muito improvável, já fez a sua coalizão. Cogitar candidaturas como a da governadora Maria Eugenia Vidal, que é menos rejeitada pelos eleitores e vence com folga nas pesquisas.

     De qualquer modo, é certo que independentemente dos resultados das urnas, nós seremos afetados por elas. A Argentina, apesar da crise, ainda é um importador estratégico de bens Industrializados, o que pode ajudar a intensificar o processo de desindustrialização no Brasil. De acordo com um relatório produzido pelo ramo de investimentos do Banco Santander, quedas no PIB argentino podem causar retrações de 0.04% a 0.07% no PIB brasileiro e de 0,28% a 0,56% na indústria nacional de bens manufaturados. Apesar de aparentarem ser pouco relevantes a princípio, tais números ajudam a explicar fatos como as revisões que estão sendo feitas nas expectativas para o crescimento da nossa economia.

     Ainda que essa situação tenha muitas incertezas, uma conclusão é certa: A Argentina, nosso terceiro maior parceiro comercial, passa por um momento delicado e, portanto, requer a atenção de analistas de diversos setores e empresas que dependem dos rumos da economia nacional para obterem sucesso.

 

 

 

 

FONTES: xe.com, tradingeconomics.com, UCA, INDEC, Billion Prices Project (MIT)

 

NOTA: O órgão de estatísticas do governo argentino (INDEC) não divulgou os dados oficiais de inflação para o ano de 2015.

 

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