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Estácio Participações S.A.

 

       Um olhar sobre a educação superior no Brasil

 

       A Estácio Participações SA é uma instituição de ensino que atua no setor de ensino superior brasileiro. Ela possui, atualmente, aproximadamente 560 mil alunos, divididos principalmente entre as modalidades presencial e à distância, com 57% e 43% da base de alunos, respectivamente.

       No Brasil, o setor de ensino superior cresceu aproximadamente 40% de 2009 a 2017, chegando a pouco mais de 8,2 milhões de alunos matriculados, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2017, do INEP, sendo 75% desse número de matrículas no setor privado. São 2.448 instituições atuando no segmento, com grande concentração na região Sudeste, dentre Universidades, Faculdades e Centros Universitários, regulamentadas pelo Ministério da Educação. Em 2017, 7 grandes redes de educação representavam apenas 40% do setor, mostrando uma grande fragmentação do setor.

       O cenário macroeconômico brasileiro vem sendo desafiador nos últimos anos. O país está se recuperando lentamente da recente recessão e se encontra num cenário de grande incerteza política e econômica. Como um dos resultados desta situação temos o alto desemprego, e assim, encontramos uma grande parcela dos trabalhadores brasileiros em busca de uma ocupação. Com isso, temos dois efeitos para o setor: se de um lado a recessão pode afetar a possibilidade de pagamento do curso, por outro lado diferenciações como um curso superior podem ser decisivas para conseguir uma vaga no mercado de trabalho ou melhores remunerações.

       O governo vem procurando estimular o setor nos últimos anos com programas de financiamento e bolsas, como o PROUNI e o FIES. Sendo o primeiro uma iniciativa federal que prevê às universidades que aderirem ao programa, dando certo número de bolsas à alunos, que podem ser parciais ou integrais, isenção de alguns tributos federais. As bolsas têm crescido ao longo dos anos, o que mostra a maior aderência de universidades, que com essas isenções podem praticar preços mais competitivos. Já o FIES é um programa do Governo Federal de financiamento do curso superior na modalidade presencial. Por ajudar majoritariamente as classes baixa e média, que muitas vezes não tem a possibilidade de cursar uma faculdade sem esse auxílio, o programa tem um grande efeito no número de matrículas em universidades que tem como público alvo esse perfil de estudante, como a Estácio, e também no ticket médio, por pagar o valor cheio das mensalidades. O FIES já passou por grandes mudanças, sendo uma das principais em 2015, onde houve uma diminuição considerável no número de contratos, e em 2018, com o Novo FIES, os contratos voltaram a aumentar, porém, agora são mais focados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

       Outro aspecto importante para o setor de educação superior é a modalidade de ensino à distância, que vem crescendo desde 2009, quando totalizava 14% de todas as matrículas do setor, e em 2017 já representava 21% do número de estudantes matriculados. Esse crescimento foi impulsionado pelo desenvolvimento da internet e da tecnologia no Brasil, que permitiu que mais pessoas acessassem a modalidade e pela crise recente. O EAD possui uma menor mensalidade sendo mais acessível a pessoas de menor renda e com problemas financeiros, principalmente num período com o alto desemprego, e uma diferenciação como um curso superior, mesmo que a distância, pode ajudar na entrada no mercado de trabalho em tempos difíceis.

       Um dos maiores problemas para uma organização que depende de uma base “fiel” de clientes é a evasão. Em 2017, o setor apresentou uma evasão de 21% do total de matrículas. Olhando para o ensino à distância, o cenário é ainda pior, apresentando uma taxa de evasão de 60% em 2017. Problemas como a falta de apoio, cursos pouco exigentes, falta de reconhecimento do mercado e dificuldades para criar uma plataforma que ajude o aluno a se organizar e para criar métodos que ajudem no aprendizado à distância do aluno são os principais motivos para o alto índice de evasão. A Estácio vem enfrentando esse problema procurando oferecer financiamentos como o PAR, para a modalidade presencial, e o PraValer, para o ensino à distância, e revendo sua estratégia de pricing e de loyalty. Além dos programas de financiamento, a empresa passou a oferecer o DIS, que permite pagar apenas R$49,00 nos dois primeiros meses, diluindo a diferença das duas primeiras mensalidades em pequenos acréscimos no valor das restantes a serem pagas durante a graduação, e assim incentivando que o aluno curse 2 meses pagando uma quantia simbólica, quase como um “test-drive” do curso, aumentando a captação.

       E mesmo se deparando com um cenário tão desafiador para o setor em que está inserida, a Estácio mostra resiliência, que se traduz em seu Market Share constante em 8,3% nos anos de maior desemprego, 2015 a 2017, enquanto sua principal concorrente perdia espaço. Diante de tudo isso, foi possível achar três oportunidades de crescimento: o segmento de saúde, M&A e a expansão do EAD.

       Com 3500 alunos em 2018, a Estácio é a líder, em termos de número de alunos, do curso de medicina no Brasil. Por seu ticket médio mais alto, longa duração do curso e alta retenção, esse curso é o foco no segmento de saúde. Atualmente 8 campi estão em operação, e através do programa Mais Médicos II, mais três campi serão inaugurados com perspectiva de chegar a 5000 alunos nos próximos anos. Pelo ticket médio mais de 11x maior que o presencial, aproximadamente 1% da base de alunos presencial é responsável por mais de 10% da receita líquida, se configurando uma grande oportunidade de crescimento.

 

 

 

     Além disso, a alta fragmentação do setor dá espaço para o crescimento através de fusões e aquisições, o qual a Estácio, com a recuperação econômica e boas perspectivas de caixa futuro, já está de olho nisso.

       Para a Estácio, a captação de novos alunos sofreu com a queda na base de participantes do FIES, que historicamente apresentam uma menor taxa de evasão. Porém, mesmo com a queda na base de alunos presencial com um todo, a companhia conseguiu manter a base de alunos estável com o aumento da captação no EAD. Sua base de alunos desse segmento cresceu de 2016 a 2019 com CAGR de 14% ao ano e a participação na receita operacional líquida foi de 10% para 19% no mesmo período, conseguindo manter a receita bruta estável com o aumento do ticket médio de todas as categorias.

 

       Com a nova regulamentação no ensino à distância, a Estácio tem permissão para a abertura de 350 polos ao ano e tem aproveitado essa oportunidade, passando de 190 polos no começo de 2016 para 630 polos no primeiro trimestre de 2019. Atualmente, a Estácio tem 93 campi e abrange o território nacional com presença em todos os estados. Mesmo sendo de grande porte, sua qualidade de ensino é alinhada com sua escala, tendo 97% de seus cursos com notas satisfatórias, e ticket médio comparável com seus competidores. Com essas três bases para uma expansão sustentável: presença em território nacional, qualidade de ensino e ticket médio comparável, a Estácio é a empresa nacional que tem capacidade para suprir a nova demanda pelo ensino à distância.
       Olhando para as finanças, a empresa obteve um bom crescimento nos últimos anos. O lucro líquido cresceu 52% entre 2014 e 2018, acompanhando o crescimento das receitas num CAGR de aproximadamente 9%. A margem líquida da empresa voltou a subir após queda durante a recessão, chegando a 17,8% em 2018. O caixa da empresa, após também sofrer uma queda durante a recessão, voltou a crescer. A companhia apresentou um ROE de 8,49% no primeiro trimestre de 2019, sendo esse o maior retorno dentre os concorrentes, sustentado principalmente por uma margem líquida e um giro do ativo superior ao dos demais players no mesmo período.
       A instituição, no primeiro trimestre de 2019, estava alavancada em 3x, um índice baixo quando comparamos com os dois principais players, Kroton e Ânima, ambas alavancadas em 9x. Olhando historicamente, a Estácio possui uma baixa alavancagem, chegando a estar desalavancada em 2018. 
       Por isso, mesmo com todas as complicações apresentadas do setor, a empresa demonstrou resiliência durante os anos difíceis que encontrou, e com sólidos números financeiros, apresenta uma boa estratégia de crescimento para os próximos anos, sustentada pela expansão do ensino à distância, no segmento de saúde e por meio de fusões e aquisições. A empresa, porém, precisa contornar o problema da evasão para ter resultados ainda melhores no futuro.

 

 

 

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