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Pocket Research: Mercado Libre Inc.

01/06/2019

 

       É esperado que uma das principais metas da maioria das empresas seja se tornar a maior de seu setor. Por definição, poucas são as que conseguem alcançar tal objetivo. As que conseguem, porém, se veem em uma armadilha, em que não sabem qual o próximo passo tomar para gerar valor ao acionista após chegar ao topo da cadeia. Aventurar-se em novos mercados ou lançar novos produtos são as soluções mais atrativas, no entanto, ambas exigem um alinhamento estratégico e operacional que coloca à prova a capacidade dos gestores da empresa.

       Maior e-commerce da América Latina, o Mercado Livre passa por situação semelhante. Fundada na Argentina, em 1999, por Marcos Galperin, a empresa hoje atua em todos os países latino-americanos, com sua receita vindo, principalmente, de Brasil (60,2%), Argentina (26,2%) e México (7,6%). A companhia é a maior do mercado em todos os países nos quais atua, com exceção do Chile. Apesar de apresentar significante crescimento, com CAGR de 10% nos últimos 5 anos, percebeu oportunidade de crescimento ao explorar mercados que tangenciam seu negócio principal, como serviços de meio de pagamento e soluções de envios. Assim, a empresa conta hoje com o Mercado Pago e o Mercado Envios, que, integrados ao Marketplace, formam um ecossistema com o objetivo de se tornar uma plataforma que atenda a todas as necessidades dos clientes.

       O setor de e-commerce na América Latina ainda é, em comparação com outras regiões do mundo, muito incipiente. Por aqui, a penetração do comércio eletrônico em relação ao varejo total é inferior a 7% (6,8% no Brasil e 5,4% na Argentina), menos da metade da situação encontrada em países desenvolvidos. Ainda assim, este é um mercado em franco crescimento, com o faturamento no Brasil sendo o dobro do que era há 5 anos. Portanto, apesar de ser o líder do segmento, o Mercado Livre ainda tem muito espaço para crescer, já que a expansão natural do mercado garantirá crescimento orgânico da companhia. Ainda assim, a empresa aposta e investe em novos produtos que possam fortalecer sua plataforma principal e manter seus clientes engajados, como serviços de crédito, pagamento e envios.

       Sabendo que 18% de seus vendedores não possuem conta bancária, a Companhia desenvolveu o Mercado Crédito, serviço que oferece crédito a seus vendedores com melhor reputação no site da empresa. Como os fundos serão utilizados na própria plataforma, a companhia tem controle sobre a movimentação financeira do beneficiado, e assim, consegue oferecer taxas de juros inferiores às de bancos tradicionais.

       Além disso, a companhia conta também com o Mercado Envios, serviço que visa intermediar a operação de entrega dos produtos. O serviço tem penetração superior a 80% na plataforma, e vêm recebendo altos investimentos, especialmente com o recém lançado serviço de fulfillment (armazenamento, embalagem e envio do produto) e a implantação da política de subsídios sobre o valor dos fretes, que por definição, deve ser gratuito para produtos vendidos acima de R$120.

       Levando em conta que na América Latina a segurança dos meios de pagamento está entre os principais fatores no processo de escolha da loja online pelo consumidor, em 2003 a Companhia lançou o Mercado Pago, voltado inicialmente para aumentar a segurança dos pagamentos online e que evoluiu para outras plataformas, como mPOS (Mobile Point of Sales, as maquininhas) e eWallet (carteira digital). Hoje o maior desafio da empresa, nesse segmento, está em aumentar seu TPV off-platform ou seja, aumentar o volume total de pagamentos fora da plataforma principal da empresa, seja por meio das maquininhas ou da carteira digital (No primeiro trimestre de 2019, a Companhia alcançou uma penetração de 45% do off-plataform no TPV total, ante um resultado de 27% no mesmo período do ano anterior). Assim, o Mercado Pago deixa de ser apenas um facilitador de pagamentos na plataforma, para se tornar uma verdadeira fintech, fortalecendo o ecossistema da empresa e lhe proporcionando um valor de mercado condizente com o de empresas desse setor. Um exemplo disso foi o salto de 18% no valor das ações da companhia, no dia da divulgação de seus resultados do 1º trimestre de 2019, puxado principalmente, pelos excelentes resultados no Mercado Pago, que atingiu um TPV (Valor total de pagamentos) de U$5,6 bilhões no trimestre, valor 35% superior ao do mesmo período do ano anterior. Além disso, no primeiro trimestre de 2019, o Mercado Livre anunciou um follow-on, no qual levantou U$ 2 bilhões que virão a ser investimentos em OPEX e no braço fintech da empresa, como é esperado pelo aporte de U$ 750 milhões realizados pelo PayPal, futuro parceiro estratégico da companhia.

       Do ponto de vista financeiro, os supracitados investimentos comprimiram as margens da empresa, que historicamente eram acima da média do setor. Exemplo disso é sua margem operacional, que a partir do início de agressivos investimentos em subsídios para fretes e campanhas de marketing, recuou para os mesmos níveis de suas principais comparáveis. O histórico positivo, demonstra, porém, que o Mercado Livre consegue sustentar uma operação eficiente, e a partir do discurso da própria direção de que os subsídios para fretes não serão uma política de longo prazo, acredita-se que em breve a empresa poderá voltar a trabalhar com margens mais confortáveis.    

 

 

 

     De grande interesse de investidores, a análise dos múltiplos revela a mudança no segmento da empresa. Na data de fechamento deste relatório, as ações da empresa eram negociadas a U$ 569,49, representando um EV/EBITDA de 1300, valor muito superior aos 296 da B2W ou 28,68 da Magazine Luiza, outras varejistas com grande atuação online. Mas vale ressaltar que, como explicado anteriormente, o resultado operacional da companhia foi comprimido nos últimos trimestres devido aos fortes investimentos realizados, o que reduz o valor do denominador desse múltiplo. Seu Price/Sales hoje está em 17,64, superior aos 2,09 da Magazine Luiza e 2,42 da B2W.

       A análise desses múltiplos pode indicar que o preço da ação está irracionalmente sobrevalorizado, ou também demonstrar que a companhia não é mais vista, pelo mercado, como uma simples varejista online, mas como uma completa empresa de tecnologia que consegue expandir sua área de atuação para embarcar em novos mercados com potenciais ainda pouco explorados.

 

         Risco Amazon

       Apesar da confiança que o mercado deposita no Mercado Livre, a Amazon aparece como uma ameaça inerente a qualquer empresa do e-commerce global. Em 4 anos de operação no México, a varejista americana já possui liderança de Market share local, causando insegurança perante a possibilidade de repetição do caso no Brasil, maior mercado latino-americano. Porém, é importante destacar algumas diferenças entre os dois países. Primeiramente, o Acordo de Livre Comércio das Américas permitia que consumidores mexicanos comprassem produtos da Amazon americana mesmo antes da entrada da empresa no país. Assim, ao inaugurar seu site local, a varejista já possuía uma sólida base de clientes. Além disso, o mercado mexicano já era muito fragmentado, sem um grande player, ao contrário do que acontece no Brasil. O Brasil também possui especificidades, como complicada malha logística e complexo sistema tributário, que exigem certo know-how de quem pretender adentrar no mercado, o que garante vantagem às empresas que já estão estabelecidos no país.

 

 

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