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Gestão passiva: o futuro do mercado de ações brasileiro

29/05/2019

 

       

     Os fundos de investimento em ações (FIAs) têm uma grande atratividade , que é a ideia de um gestor profissional, especializado e dedicado em tempo integral ao mercado de ações, administrando o dinheiro. A ideia, no papel, é ótima. A grande pedra angular aqui são as taxas de administração e performance cobradas pelos fundos de investimento. Via de regra, os gestores cobram 2% a.a. para administrar o capital do investidor e mais 20% sobre a performance que exceder o benchmark, ou seja, um referencial de mercado pré-determinado, que geralmente é o Ibovespa ou o IPCA acrescido de uma porcentagem.

     Ainda no mercado de ações, porém na contra-mão dos fundos de investimento, existem os ETFs, administrados sobre gestão passiva. ETF é a sigla em inglês para Exchange Traded Fund, que, em tradução livre para o português, é o chamado fundo de índice. Em linhas gerais, os ETFs são índices que acompanham o mercado como um todo, um determinado setor ou um perfil de empresas específico. No Brasil, por exemplo, temos o BOVA11, que busca acompanhar a performance do IBOVESPA, o IVVB11, que procura refletir o desempenho em reais do S&P500 – índice da bolsa americana composto por 500 ativos cotados nas bolsas de New York e NASDAQ –, e o FIND11, que é composto pelas ações emitidas por setores de intermediários financeiros, serviços financeiros diversos e previdências e seguros, dentre outros. Nos EUA, onde o mercado é mais robusto e a gestão passiva é bem mais difundida, existem ETFs que replicam o desempenho de diversos setores, de empresas small-cap, mid-cap, high quality, de empresas pagadoras de dividendos, de commodities, de mercados estrangeiros emergentes, do próprio mercado brasileiro (caso do S&P Brazil BMI), dentre muitos outros. Ou seja, quase todo tipo de setor, empresa ou mercado é representado por um ETF, que entrega um rendimento em linha com o seu benchmark.

     O ETF não tem a intenção de bater o índice de mercado como os fundos de investimento em ação, mas sim acompanhar a sua performance. Por isso, não existe taxa de performance e a taxa de administração tende a ser bem menor, geralmente abaixo de 1% no Brasil. Nos EUA, as taxas são consideravelmente mais baixas, e o principal ETF que acompanha o S&P500 tem taxa de administração de 0,04%, contra 0,54% do BOVA11 no Brasil. As taxas dos fundos de índice são mais baixas porque não há nenhum grande trabalho intelectual a ser feito como existe na gestão ativa dos fundos de investimento. Na gestão passiva, a gestora do ETF simplesmente compra as ações às quais o índice propõe se expor e, por consequência, acompanha o desempenho das mesmas. Com os ETFs, o investidor pode sair um pouco da necessidade de analisar empresa por empresa e passar a fazer uma análise top-down, olhando principalmente para as prospecções destinadas aos setores e ao mercado. Ainda, os ETFs proporcionam diversificação com um só ativo, flexibilidade para o investidor reposicionar sua exposição ao mercado e transparência nos ativos da carteira, que nem sempre existe nos FIAs.

     A grande questão a se fazer aqui, na escolha entre gestão ativa e passiva, é: quanto um investidor profissional é capaz de bater o mercado consistentemente no longo prazo? Embora a imensa maioria acredite ser capaz de superar os benchmarks consistentemente, a verdade é que apenas uma minúscula parcela consegue.

     Segundo o SPIVA (S&P Indices Versus Active), considerando o período de um ano corrido, 29,35% dos fundos brasileiros que investem em ações tiveram desempenho superior ao benchmark de mercado. Quando se olha para um período minimamente relevante, pressupondo uma visão de longo prazo, de 5 anos, esse número cai pela metade: somente 14,44% dos fundos brasileiros têm desempenho superior ao índice. A realidade, entretanto, é ainda pior para os gestores ativos, já que qualquer índice que meça a performance de fundos de investimento em ações possui viés de sobrevivência, ou seja, só considera fundos que existiam a cinco anos e continuam vivos até hoje, e desconsidera aqueles que quebraram no meio do caminho – também segundo o SPIVA, em report publicado em 2018, somente 42,89% dos fundos de ações brasileiros se mantêm vivos em 5 anos.

     O ponto a ter em mente é que quanto mais desenvolvido e líquido é um mercado, mais eficiente tende a ser a precificação de seus ativos e, por consequência, mais difícil se torna superar a média do mercado e bater o mesmo consistentemente. Os EUA, por exemplo, têm um mercado de ações bastante maduro. Sendo assim, o custo benefício de se investir em um fundo de investimento em ações e pagar as taxas de administração e performance se reduz consideravelmente, visto que o fundo não consegue superar em muito o mercado, e as taxas consomem “comem” boa parte do rendimento.

     O próprio Warren Buffett, lendário investidor que acumulou bilhões durante sua trajetória de stock-picking, deu declarações recentemente que alinham à essa visão. Na versão mais recente da sua tradicional carta anual aos acionistas da Berkshire Hathaway, Buffett comentou sobre o excepcional retorno que teria, de cerca de 528.711%, se tivesse feito seu primeiro aporte, no ano de 1942, em um ETF que acompanha o S&P 500. Warren disse também, mais recentemente, em entrevista à CNBC, que esse é o melhor investimento que alguém poderia ter feito àquela altura:“If my (1942 first ever investment of) $114.75 had been invested in a no-fee S&P 500 index fund, and all dividends had been reinvested, my stake would have grown to be worth (pre-taxes) $606,811.”

     Ainda que seja um dos melhores investidores ativos da história, Buffett é um entusiasta dos fundos indexados, os ETFs. De fato, o “Oráculo de Omaha”, como é conhecido, vem tendo muitas dificuldades para bater o S&P na última década. Desde janeiro de 2010, a Berkshire Hathaway, holding de investimentos de Buffett, teve desempenho inferior ao principal índice do mercado de ações norte-americano, como podemos observar.

     Fato é que as taxas de administração e performance cobradas pelos fundos de investimento, acumuladas ano após ano, são um fardo muito grande para o investidor pagar no longo prazo. A menos que o gestor esteja muito fora da curva, a performance acima do índice tende a ser mitigada pelas taxas, e o retorno do investidor passa a não compensar o risco e o custo de oportunidade de aportar o dinheiro no fundo. Outra rotina constante que recorrentemente diminui a performance de fundos é o fato de boa performance atrair novos investidores, com o gestor passando a gerir um capital substancialmente maior, perdendo flexibilidade,por vezes tendo que alterar sua estratégia, e com isso deteriorando seu rendimento.

     Além dos ETFs, que surgem como uma excepcional maneira de se expor ao mercado de ações no longo prazo, também se mostra interessante ao investidor individual como alternativa aos FIAs, a possibilidade de se capacitar intelectualmente para melhor proveito das vantagens existentes às pessoas físicas na bolsa, como liquidez, flexibilidade e isenção tributária – na venda de até R$ 20.000 por mês em ações – que podem potencializar seu retorno no longo prazo. Dificilmente surgirá um novo Buffett sem que o mercado proporcione condições para tal, como aconteceu com o próprio Warren, e surfar a onda do promissor mercado acionário brasileiro junto aos ETFs é a melhor escolha que um investidor pode fazer.

 

 

 

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