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A dor de cabeça de Lemann

        Uma notícia alarmante chegou à mídia internacional no início desse ano: a empresa Kraft Heinz perdera 27,5% do seu valor após apresentar péssimos resultados contábeis no quarto trimestre do ano de 2018. Com isso, investidores de grande renome, como Jorge Paulo Lemann e Warren Buffet, perderam parte de sua fortuna bilionária e Lemann fora, inclusive, rebaixado de sua posição de “homem mais rico do Brasil”.

        A Heinz fora comprada em 2013 pela empresa de private equity brasileira 3G Capital – fundo dos famosos empresários Beto Sucupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles - e pela Berkshire Hathaway, do investidor Warren Buffet. Em 2015, ocorreu a fusão da empresa com a Kraft Foods, dando origem a Kraft Heinz, tornando-se assim a quinta maior empresa de alimentos e bebidas do mundo e a terceira da América do Norte. Por conta da grande fama por trás de seus acionistas, esperava-se por mais um negócio “predestinado ao sucesso”, porém, não é essa a história que vem sendo contada pelos noticiários e resultados financeiros da empresa.

        O primeiro pretexto que gerou preocupação para os acionistas foi a intimação da empresa pela Securities and Exchange Comission (SEC, órgão que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos) por conta de práticas contábeis suspeitas relacionadas a uma investigação na área de compras, causando insegurança quanto a transparência da organização. Já o principal motivo apontado para a baixa contábil seria a desatualização do portfólio de marcas da Kraft Heinz, a qual não conseguira acompanhar as mudanças de preferências dos consumidores que estão cada vez mais preocupados em adquirir produtos saudáveis. Embora a empresa recentemente tenha tomado algumas medidas para seguir o ritmo das marcas preocupadas com a saúde, como a compra da fabricante de ketchup orgânico Primal Kitchen por US$ 200 milhões, o resultado financeiro apresentado do último trimestre mostrou que essas iniciativas foram insuficientes e chegaram tarde demais em relação a outros concorrentes que já haviam começado a investir em produtos nesse novo mercado.

        Um possível determinante mencionado por diversos analistas para o atraso da atualização das marcas seria o modelo de gestão agressivo adotado pela 3G de corte de custos, não dando espaço para inovação de produtos que pudessem acompanhar as mudanças do mercado. A Ambev, outra empresa controlada pela 3G, está passando pelo mesmo problema ao não conseguir nivelar-se às novas tendências dos consumidores, os quais estão priorizando cada vez mais o consumo de cervejas premium e, por conta disso, também anda perdendo espaço de mercado para os outros concorrentes.

        Discussões calorosas vêm sendo realizadas sobre o possível esgotamento do modelo de gestão da 3G Capital, que foi vista como referência por anos, mas vem desapontando com os resultados financeiros de suas empresas. Lemann teria, inclusive, realizado uma confissão surpreendente em uma conferência nos Estados Unidos no ano passado. Ele teria se declarado como um “dinossauro apavorado” diante das inovações que estão transformando o mundo dos negócios. Com isso, podemos observar de maneira surpreendente que, independente da vasta experiência do grupo 3G em governança corporativa, quem não consegue acompanhar as mudanças (cada vez mais rápidas) pelas quais o mundo está passando, ficará para trás. Tudo é só uma questão de tempo.

   

 

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