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Pocket research: Tesla Inc.

28/04/2019

       Análise do Setor: carros elétricos

       Na maioria das vezes, a análise de uma empresa começa pela análise dos setores. Ao entender os setores, conseguimos identificar quais estão em alta ou em baixa, como efeitos regulatórios e fiscais agem sobre eles e como fatores econômicos e políticos os influenciam. O primeiro passo para analisar um setor é entender sua dinâmica, suas barreiras de entrada, seus riscos, ou seja, todas suas particularidades. Feito isso, é necessário identificar quais são seus “drivers” de crescimento, isto é, quais fatores de natureza econômica e política potencializam esse setor. Somente após tudo isso é que podemos começar a analisar a empresa. 
       O setor de carros elétricos (EV’s), o qual a Tesla se encontra, vem crescendo muito nos últimos dez anos e é um dos setores mais promissores. O crescimento do setor deve-se, majoritariamente, à dois fatores: a ascensão do ambientalismo e os subsídios/incentivos governamentais. A preocupação com aquecimento global é o principal driver do setor. Devido ao aumento da temperatura média da Terra e as consequências ao redor do globo, a população está criando cada vez mais consciência em relação a emissão de gases do efeito estufa, principalmente o CO2, colocando a migração para carros elétricos como uma mudança essencial.
       Nessa mesma tendência, os países estão aderindo cada vez mais à Tratado Mundiais visando a redução na utilização de combustíveis fósseis. Além disso, para se adequarem aos novos padrões, os governos oferecem uma série de incentivos. A China e Noruega, por exemplo, vêm oferecendo redução e isenção de alguns impostos, vagas exclusivas em estacionamentos e auxílio na a compra dos veículos. O setor está crescendo de maneira exponencial. A Noruega é o país com o maior market share e com os maiores gastos em subsídios, podendo chegar a até 45% do valor do veículo.

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     O mercado chinês é o que mais cresce em todo o mundo. Em 2016 o mercado foi responsável pela produção de 43% dos EV’s mundiais e, de acordo com dados da Bloomberg, em 2020 o mercado chinês será responsável por cerca de 50% das vendas em todo o planeta. A China supera os países tanto no quesito Oferta como Demanda. No lado da Oferta, a China vem oferecendo condições favoráveis aos produtores, principalmente através da oferta de matéria primas em preços mais baratos. Em relação a Demanda, o mercado chinês apresenta o maior número de veículos vendidos e com a maior variedade (mais de 75 modelos). Como o market share chinês no mercado de veículos elétricos é pequeno, podemos inferir que ainda há um enorme potencial de crescimento.

 

       Análise da Empresa: Tesla

     Após analisarmos o setor, devemos começar a análise da empresa. A análise tem como objetivo conhecer a empresa em todos os seus detalhes: Como a ela ganha dinheiro, suas finanças e como é sua relação com os fornecedores e consumidores. Com isso, conseguiremos ter informações para embasar nossa tese de investimento.

     Criada em 2003 pelos engenheiros Martin Eberhard e Marc Tarpenning, a Tesla se destaca como a pioneira e uma das principais do setor. Em 2004, o empresário Elon Musk se juntou a empresa como presidente do Conselho de Administração e começou a desempenhar um papel fundamental. Já em 2008, a empresa lançava o seu primeiro veículo, o Tesla Roadster, que se mostrou um sucesso entre os compradores. Nos anos seguintes, lançou seus outros modelos que também foram bem recebidos no mercado. A Tesla é conhecida por ter os melhores carros da categoria, tanto no quesito performance, como na qualidade da bateria. Os carros são os mais velozes e com o maior poder de aceleração, isso tudo sem perder sua eficiência energética. Uma bateria do Model 3, veículo mais recente, por exemplo, é capaz de percorrer 500 km até precisar ser recarregada.

     Apesar de todos os aspectos positivos que favorecem a empresa, há uma série de fatores negativos que estão prejudicando a Tesla nos últimos anos, sendo os quatro principais pontos abaixo:

 

     1. Problemas de produção: A empresa possui problemas constantes de produção, em grande parte graças a alta automatização. O Model 3 é o primeiro produzido em produção em escala. Após o lançamento do veículo, a firma anunciou que a produção seria de 5000 carros por semana ainda em 2017, fato que só ocorreu em julho de 2018. No final de 2017, a empresa produzia apenas 448 carros por semana. Isso acabou gerando um grande estresse no mercado e muito compradores desistiram da compra.

 

     2. Competição: A indústria de veículos elétricos é bem promissora e os governos estão aumentando seus subsídios em todo o mundo para reduzir a queima de combustíveis fósseis. Com os incentivos, a maior parte das montadoras têm investido maciçamente. Tendo isso em mente, o investimento no setor nunca foi tão alto, fato que afeta o resultado da Tesla, não só por causa dos seus problemas de produção, mas sim pelo fato de que a empresa não tem mais capital para investir e espalhar sua presença. Com tudo isso, os novos entrantes no mercado são marcas gigantescas e com muitos planos ambiciosos. A Volkswagen, por exemplo, prometeu que a partir de 2030 irá vender apenas carros elétricos. E marcas como GM, Ford, Mercedes-Benz já estão no mercado.

 

     3. Administração: Apesar de continuar como CEO da companhia, Elon Musk foi deposto de sua cadeira de presidente do conselho, conforme as ordens da SEC, que também o multou por suas declarações no Twitter, que diziam que ele fecharia o capital da companhia. Além disso, seus atos e declarações inconsequentes vêm causando uma série de problemas, o que , inclusive, causou a demissão de alguns de seus principais funcionários. Apesar de Musk ter uma “Fan Base” extremamente popular, ele precisa ter mais cautela com suas atitudes públicas, uma vez que seus atos impactam diretamente na empresa.

 

     4. Financeiro: A companhia tem 15 anos e quase 37.000 funcionários. Apesar disso, a empresa nunca foi lucrativa. A firma tem um dívida no valor de US$9 bilhões e cerca de US$1.2 bilhões maturam em março de 2019, sendo apenas 0,25% conversíveis. É muito plausível pensar que a empresa precisará se alavancar ainda mais para continuar desenvolvendo suas operações, nos levando a questionar o futuro da empresa.

     Com todos esses aspectos em mente, podemos chegar à conclusão de que a Tesla não é uma empresa lucrativa, e, apesar de atualmente ser líder no setor, a empresa pode perder sua posição nos próximos anos. Agora nos resta esperar e observar.

 

 

 

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