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A economia comportamental e a Netflix

22/11/2018

     Domingo à noite, nada para fazer e em pleno frio do inverno paulistano. Com certeza não há combinação melhor do que o sofá e - a melhor amiga de muitos - a Netflix. No entanto, quando se abre o aplicativo da Netflix, provavelmente, a primeira sensação que o usuário deve sentir é de aflição e indecisão. “Como vou escolher algo para assistir em meio a tantas possibilidades?”. Tal situação, apesar de tratar de um aspecto intimista, exemplifica uma das teorias recentes mais importantes para a economia comportamental e para finanças: “O paradoxo da escolha” de Barry Schwartz e a “Teoria da perspectiva” de Daniel Kahneman e Amos Tversky.

     Segundo Barry Schwartz, em seu livro “The paradox of choice: why more is less”, o paradoxo da escolha se caracteriza pela dificuldade do consumidor de escolher uma combinação, seja de bens ou serviços, que maximize sua satisfação em um ambiente com alternativas abundantes.

     Partindo desse princípio, Barry explica que um consumidor tenderá a comprar uma menor quantidade de bens, à medida que a sua gama opções aumentam. Racionalmente, o aumento da gama de opções deveria significar uma maior chance de encontrar um bem que encaixe no perfil do consumidor, caracterizando, assim, o paradoxo. É, exatamente, nesse ponto que o exemplo da Netflix se justifica. É muito mais difícil escolher um filme na Netflix do que escolher entre a Sessão da Tarde e a Tela Quente.

     Mas por quê esse fenômeno acontece? Qual a explicação da economia para ele? Os conceitos econômicos que relacionam-se a esse fenômeno são o conceito de Custo de Oportunidade e a “Teoria da perspectiva”. Custo de Oportunidade, como o nome já evidencia, é o custo de se deixar uma oportunidade passar. No caso dos filmes, o custo de oportunidade de assistir a Netflix é não assistir a Sessão da Tarde. Tal conceito é intrínseco a qualquer indivíduo e determina o processo de tomada de decisão, explicando por que é cada vez mais difícil escolher um filme na Netflix.

     É a partir da dificuldade de elaborar um modelo de tomada de decisão que o psicólogo, vencedor do prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman, elabora a “Teoria da Perspectiva”. Kahneman diz que a atitude dos indivíduos depende, primordialmente, da sua situação no momento da escolha. Quando analisa-se a escolha de investidores, por exemplo, percebe-se, empiricamente, a atuação desse conceito. Quando o investidor está em uma situação de perdas ele, inconscientemente, torna-se propenso a tomar mais riscos em decisões futuras para, de alguma maneira, recuperar as perdas passadas, mesmo que isso significa estar cada vez mais exposto a prejuízos. Ou seja, o nível de aversão a riscos/perdas altera-se de acordo com a situação que o investidor se encontra. Os agentes econômicos não são tão racionais como os modelos de tomada de decisão tradicionais indicam.

     Apesar dessa teoria não parecer “revolucionária”, suas aplicações, com certeza, devem alterar as análises de mercados e do comportamento do consumidor. Afinal, ao propor a teoria da perspectiva, Kahneman refuta as teorias tradicionais e ainda cria dúvidas relacionadas ao real nível de eficiência dos mercados. Quem diria que haveria tanta teoria econômica no simples processo de escolha de um filme na Netflix.

 

 

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