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A economia dos presidenciáveis: Fernando Haddad

05/10/2018

 

         Ex-ministro da Educação no governo de Lula, de 2005 até 2012, e ex-prefeito de São Paulo, de 2013 a 2016, Fernando Haddad faz parte de toda a conturbada candidatura de Lula à presidência que, cujo indeferimento pelo TSE fez com que Haddad assumisse “às pressas” a candidatura pelo PT, com pouco menos de um mês para as eleições presidenciais. Formado em Direito pela USP e com mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, também pela USP, Haddad é um tanto distante dos movimentos sociais que deram origem ao PT. O candidato integrou o Ministério do Planejamento entre 2003 e 2004, em que formulou o projeto de lei que criava as Parcerias Público-Privadas (PPP) no Brasil, demonstrando desde então sua flexibilidade no intervencionismo estatal.

         Suas propostas econômicas, no entanto, podem ser preocupantes para os investidores. Dentre elas, estão a revogação da PEC do teto de gastos e da reforma trabalhista, além da taxação de bancos para baratear o crédito, possibilidades que não agradam o mercado. Embora o candidato demonstre uma certa preocupação com a responsabilidade fiscal e tenha declarado que irá abrir mesas de negociação da reforma da Previdência, os assessores econômicos do PT, Guilherme Mello e Marcio Pochmann, não parecem tão flexíveis assim, muitas vezes fazendo declarações públicas de que a reforma não é necessária. Não seria a primeira vez na corrida presidencial que um candidato e sua equipe econômica divergem publicamente.

         Ainda assim, há uma dúvida no mercado sobre como precificar o candidato, já que Haddad encontra-se em uma encruzilhada. Ele utiliza a imagem de Lula para se tornar mais popular pelo Brasil e arrecadar votos, já que candidatos pouco conhecidos Brasil afora, mesmo em partidos grandes, não conseguem visibilidade suficiente para garantir uma vaga no segundo turno, vide Henrique Meirelles, do MDB. Ao mesmo tempo, Haddad é, por consequência, associado à imagem de um ex-presidente preso por corrupção, sendo assim exposto a um forte antipetismo, o que prejudica sua campanha e cria o questionamento: após ser eleito, fará como Lula em 2002 e provará ao mercado não ser tão extremista como o seu discurso? Talvez, de fato, Haddad não seja um monstro para o mercado, principalmente dado o seu pragmatismo político, já comprovado na prefeitura de São Paulo, em que aprovou o impopular aumento das tarifas de ônibus e conseguiu retomar os investimentos na cidade.

 

          Agenda desenvolvimentista

         Um dos principais programas do plano econômico de Haddad é o “Meu Emprego de Novo”, que propõe a criação emergencial de empregos por meio da retomada de obras paralisadas, dos investimentos na Petrobras, do Programa “Minha Casa, Minha Vida” e o fortalecimento do Bolsa Família e dos bancos públicos. O intelectual acredita que o Estado deve ser o gerador do crescimento econômico investindo em infraestrutura, cujas obras públicas impulsionariam o setor privado e gerariam mais de 8 milhões de empregos. O candidato se mantém firme no tocante a fortalecer a Petrobras e suspender a venda de seus ativos, assim como reorientar a política de preços dos combustíveis para garantir preços mais estáveis e acessíveis à população. Ele dá atenção à privatização em seu plano de governo somente no sentido de fortalecer as parcerias público-privadas, em que pese no setor de iluminação pública.

 

          Responsabilidade fiscal é pra valer?

         Quando questionado em um debate, por Guilherme Boulos, sobre as reformas da Previdência e trabalhista, Haddad respondeu apenas sobre a revogação da reforma trabalhista, sendo contra a “pejotização” e a terceirização. No que tange à reforma da Previdência, Haddad preferiu se esquivar. Em outras oportunidades, afirmou estar aberto a negociações. Afirmou, inclusive, estar aberto ao diálogo com o PSDB após a autocrítica do ex-presidente do partido, Tasso Jereissati, em relação ao questionamento do resultado eleitoral de 2014 e ao apoio ao governo Temer. Já a reforma tributária de Haddad se instalaria por meio de um sistema progressivo de tributação, em que pobres pagariam menos e ricos pagariam mais, sendo que pessoas que recebessem até 5 salários mínimos seriam isentas do Imposto de Renda ao passo que a alíquota dos “super ricos” aumentaria ainda mais. Além disso, a possibilidade de reforma concebe a tributação direta sobre lucros de dividendos e a constituição do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), defendido também por outros candidatos, como Alckmin e Amoêdo.

 

         Haddad é Lula, é Ciro ou é Haddad?

         O slogan da campanha, criado para obter votos que iriam para Lula, abre a discussão se Haddad seria uma “marionete” de Lula no Planalto. No entanto, quando assumiu a candidatura pelo PT, Haddad alterou o plano de governo de Lula em alguns pontos-chaves como, por exemplo, a mudança no patamar de importância da federalização do Ensino Médio, medida fortemente defendida pelo metalúrgico. Haddad também adicionou ao programa de governo o “Dívida Zero”, uma proposta muito semelhante à de Ciro Gomes, de “limpar” os nomes dos brasileiros no SPC e no Serasa. Há uma disputa à esquerda entre Ciro e Haddad, seja por conta de ambos serem rejeição a Bolsonaro, seja por serem semelhantes em suas propostas, ainda que sejam muito diferentes em atitudes, o que pode ser bom ou não.

         De maneira geral, Haddad surfa na onda de Lula e corre o risco de se afogar nela. No entanto, caso saia vitorioso, ele possui a habilidade de escolher sua própria prancha e surfar sua própria onda. Certamente, ele necessitará de equilíbrio para conquistar o apoio do legislativo, da população e do mercado.

 

 

     Leia aqui o artigo de Geraldo Alckmin da série "A economia dos presidenciáveis", publicado na quinta-feira! Acompanhe também nossa página, facebook.com/ligademercadofeausp, e fique por dentro de nossa série "A economia dos presidenciáveis", com artigos novos até as eleições 2018, além de nossas publicações semanais na Markets Insights!

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