Assine nossa newsletter!

facebook-logo-button (1).png
instagram-logo (1).png
linkedin.png
© 2019 Liga de Mercado Financeiro FEA-USP. Todos os Direitos Reservados.

Introdução à Guerra Comercial

20/09/2018

     Uma guerra comercial acontece quando um ou mais países impõem tarifas ou medidas contrárias ao livre comércio, visando obter vantagens e prejudicando seus parceiros comerciais. O presidente Trump começou uma disputa comercial contra vários países do mundo e, com as retaliações desses países, a guerra comercial tornou-se uma realidade. Este tipo de disputa entre países tem efeitos amplos, que ao contrário do que Trump defende em seu discurso, podem trazer prejuízos para todo o planeta, inclusive para os EUA.

     Pelo menos não é possível falar que não foi avisado: desde a sua campanha na eleição, Trump falava sobre descartar pactos de comércio internacional como o TPP – um dos maiores tratados já estabelecidos entre o país e o oriente – e o Nafta, usando como justificativa seu slogan “Make America Great Again”. Depois de sua eleição, o presidente norte americano impôs tarifas para a importações de vários produtos sob o discurso que isto regularia o déficit comercial do Estados Unidos. Tais medidas estão dirigidas principalmente contra a China, porém as ameaças também foram direcionada ao Canadá, União Europeia, México, entre outros.

     A discorda Trumpiana contra China parece simples, mas na verdade merece uma análise mais profunda. Até 2015, durante 30 anos, a China foi a economia que mais cresceu no mundo, mantendo um ritmo estável de crescimento do PIB ao redor de 10%. Desta fábrica mundial, os Estados Unidos têm importado em torno de 500 bilhões de dólares de bens todo ano, deixando sua balança comercial deficitária em aproximadamente 375 bilhões com a China. A situação vinha provocando a manutenção de uma nova ordem mundial, em que a gigante asiática aparece como um dos principais personagens. Sinais do enfraquecimento de alguns setores estadunidenses já apareciam há algum tempo: em 2016, o país tinha 13 usinas de aço a menos do que em 2000. Para quem não está acostumado a perder no pátio global, isso deve doer. Assim sendo, Trump anunciou como seu objetivo abaixar o déficit comercial com a China para 175 bilhões até 2020.

     Porém, a história apenas começou. Para justificar suas medidas agressivas, Trump defende que os chineses "roubam" tecnologia americana, entre outras formas de sabotagem. Praticamente pela primeira vez na história, os Estados Unidos sentem que não estão sendo beneficiados pelo livre comércio e sua resposta é acusar a China de quebrar a lei internacional. Afinal de contas, o que aconteceu foi que os Estados Unidos assinou diversos acordos de comércio com a China em que prometia transferir tecnologia que usava para produção dos seus bens no país. Para que empresas estrangeiras se instalem na China, o governo chinês impõe estas medidas, tendo em vista beneficiar e desenvolver sua indústria nacional. As empresas americanas, temendo perder a oportunidade de usar a terra e mão de obra barata, aceitam fazer tais trocas. No entanto, há também indícios de que autoridades e empresários chineses tenham conseguido tecnologia de maneiras ilegais.

     As medidas para resolver o problema, que já é de uma natureza estrutural, ficam cada vez mais complicadas. Considero duvidoso que essas taxas vão instantaneamente acionar empreendedores a voltar a construir fábricas de aço ou levar americanos a comprar Iphones pelo dobro do preço. Em todo caso, a guerra já é uma realidade. As ameaças começaram em abril de 2018, quando Trump anunciou potenciais tarifas pela primeira vez. No primeiro de Junho, foram aplicadas de fato as primeiras; 25% sobre importações de aço e 10% sobre o alumínio. Negociações diretamente com cada país afetado pelas tarifas começaram, e limites de produção e exclusões foram logradas por vários países, dentre eles o Brasil. No dia 6 de Julho, as mídias declararam a guerra uma realidade, pois quando Trump aplicou tarifas de 25% sobre o valor de 34 bilhões de produtos Chineses, a China retaliou com suas próprias medidas. O conflito segue e tem o potencial de causar outras mudanças estruturais no ecossistema produtivo de vários países, mas não no sentido que se esperava. Muitos são os que dizem que a guerra comercial acabará por não nada de bom para ninguém, inclusive para os americanos. Talvez seja por isso que se classifica como guerra.

 

     Acompanhe também nossa página, facebook.com/ligademercadofeausp, e fique por dentro de nossas postagens semanais!

 

 

Share on Facebook
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square