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A ascensão do dólar

     Atualmente, a hegemonia do dólar americano é um fato incontestável. A moeda é operada na adoção de reservas internacionais por Bancos Centrais de inúmeros países e serve como referência para qualquer negócio em nível global. Entretanto, nem sempre foi assim. Para entender como o dólar ganhou tamanha credibilidade e, consequentemente, poder monetário mundial, é preciso entender como o sistema financeiro internacional fora modelado.

     Inicialmente, a economia mundial era governada de maneira informal e a emissão de moedas dependia principalmente da sua demanda. Essa irregularidade resultou em um excesso de concessão de crédito, com base em perspectivas econômicas irrealistas, e acabou culminando em uma forte crise em 1873, com a falência de bancos influentes. Após o Pânico de 1873, ou Longa Depressão, foi notada a necessidade de organizar um modelo a fim de manter um equilíbrio econômico. Assim, foi adotado um critério de câmbio fixo, denominado de padrão-ouro, sustentado pelo Reino Unido, que tinha a libra como moeda forte (moeda com alta confiabilidade do mercado), e cada país deveria manter uma reserva em metal precioso (ouro), que seria o seu lastro para a emissão de novas moedas.

     A partir de 1914, com a chegada da Primeira Guerra Mundial, as falhas do padrão-ouro começaram a ficar evidentes. Os monstruosos gastos militares e a destruição de inúmeras cidades resultaram em um grande emissionismo e em uma expansão monetária sem precedentes, gerando um surto inflacionário em países fragilizados pós-guerra. Diante disso, constata-se que a emissão de moedas não poderia ficar presa a um lastro em ouro, e tal realidade tornou-se ainda mais clara com a Crise de 1929, conhecida também como a Grande Depressão.

     Diversas medidas intervencionistas foram empregadas a fim de recuperar a economia dos países afetados, mas, diante de uma Segunda Guerra Mundial, a preocupação com os rumos monetários que delineariam o sistema financeiro internacional culminou na organização da Conferência de Bretton Woods, em 1944. Uma série de disposições foram acertadas, dentre elas, destaca-se a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e o estabelecimento do dólar como moeda forte.

     Os Estados Unidos apresentavam uma economia hegemônica que não havia sido afetada como a dos outros países em guerra, o que justificou a deliberação do dólar como moeda forte. Desse modo, o único país que precisava ter reservas em ouro seria os EUA, o qual teria a missão de garantir a conversibilidade do ouro em dólares - 35 dólares equivaliam a uma onça troy (unidade de peso equivalente a 31 gramas) de ouro. Tal medida deu uma enorme vantagem ao imperialismo norte-americano, assegurando assim a supremacia estado-unidense.

     Novamente, o uso do ouro como lastro da moeda começou a apresentar problemas quando as reservas começaram a diminuir, à medida que os Estados Unidos necessitavam resolver questões pontuais de elevado custo, como por exemplo, a Guerra do Vietnã. A situação colocou em risco a economia americana e, consequentemente, a mundial. Começa a haver uma liquidez de dólares muito grande, que acabou representando uma espécie de exportação da inflação para o mundo.

     Assim, em 1971, o presidente americano Richard Nixon anulou a conversibilidade do padrão de Bretton Woods. A partir disso, iniciou-se o regime de câmbio flutuante, que é um sistema em que as operações de compra e venda de moedas funcionam sem controle sistemático do governo. O valor das moedas estrangeiras flutua de acordo com a oferta e a demanda no mercado. Essa “anarquia” monetária e cambial propiciou uma concentração de três moedas fortes: o dólar americano, o euro e o iene (moeda japonesa que pode ser substituída no futuro pelo renminbi chinês).

     Tentativas de restaurar o equilíbrio com base em novas paridades fracassaram e a economia mundial vive num regime de ausência total de paridades correlacionadas, ou seja, o mundo vive sem um Sistema Monetário Internacional Formal. As variantes crises capitalistas que ocorreram desde então, com destaque para a Grande Recessão de 2008, servem como cenários calorosos para a discussão de um novo sistema monetário. Enquanto isso, seguimos com um modelo informal, o qual é alvo de muitas críticas.

 

 

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