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Apple rumo ao US$ 1 trilhão

       Há exatamente uma década, quando a Apple lançou o primeiro iPhone, a companhia valia pouco mais de uma centena de bilhões de dólares. Em 2017, ela alcançou a casa dos US$ 800 bilhões, um crescimento vertiginoso explicado pela ampla aceitação do iPhone. Este tornou-se um sucesso de vendas, sendo, atualmente, responsável por dois terços do faturamento.

       Como esperado, a Apple não foi a única empresa a desfrutar deste novo mercado. Companhias coreanas e chinesas, notadamente a Samsung, conquistaram marketshare com aparelhos acessíveis e com tecnologia similar, colocando a hegemonia da Apple em xeque. Mesmo assim as ações dela continuam em alta, traduzindo o otimismo dos investidores em relação ao futuro.

       Questionar o horizonte otimista parece bastante plausível - afinal, como uma companhia pode manter crescimento expressivo no mercado de smartphones, que começa a vislumbrar o último ponto de inflexão da curva S? Mas, ao analisar a estrutura operacional da Apple e seus investimentos em novos produtos e inovações tecnológicas, esse ceticismo desvanece.

       Atualmente, segundo algumas fontes, a Apple tem a cadeia produtiva mais eficiente do mundo. Apesar de não participar diretamente na produção de seus hardwares, ela criou uma rede global de fornecedores atrelada a um complexo sistema logístico, capaz de atender a demanda em escala mundial, com baixo custo e em tempo recorde. Isso permite à empresa focar no seu principal objetivo: pesquisa e desenvolvimento. No último ano fiscal, o departamento de R&D consumiu cerca de US$ 10 bilhões, que correspondem a mais de 40% das despesas operacionais.

       Esse pioneirismo assegura à Apple a dianteira no mercado, afastando o risco de obsolescência tecnológica. Mas tal risco é um fator difícil de mitigar em um ambiente de competição acirrada como o setor de tecnologia. Por essa razão, uma das estratégias é adquirir patentes e empresas mundo a fora a fim de agregar o máximo de inovação. Desde 2010, a Apple adquiriu 60 companhias que atuavam em áreas como inteligência artificial, machine learning e reconhecimento facial.

       Uma dessas aquisições foi a empresa alemã Metaio, desenvolvedora de soluções em realidade aumentada. Esta tecnologia tem imenso potencial de criar um novo superciclo no mercado de smartphones, que deve impulsionar o desenvolvimento de aplicativos e tornar o ambiente de e-commerce mais dinâmico. Segundo um relatório do Morgan Stanley, a adoção em massa de aplicativos baseados em realidade aumentada tem potencial para incrementar US$ 400 bilhões em vendas de mobile devices e serviços relacionados nos próximos três anos.

       O último lançamento da Apple, o iPhone X, já conta com câmera dupla frontal e traseira para melhorar a experiência de realidade aumentada, antecipando o movimento em relação aos concorrentes. Adicionado a isso, a empresa também lançou o ARkit, ferramental voltado a desenvolvedores de aplicativos. O ARkit tem o objetivo de acelerar o processo, fornecendo a base para a criação de aplicativos de realidade aumentada por terceiros, responsáveis por abastecer a maior parte do conteúdo da App Store.

       Apesar de todo o esforço em fornecer aparelhos repletos de inovações, a Apple ainda corre o risco de algum concorrente criar algo revolucionário cuja tecnologia não possa ser replicada com sucesso. Ademais, conceber produtos que atendam às preferências de um público tão amplo e diverso é uma missão quase impossível. Esse risco da aceitação pode ser observado, por exemplo, na variação de receitas apresentadas nos demonstrativos contábeis.

       Essa conclusão fica mais evidente no caso das vendas de iPhones. Alguns modelos são mais bem-sucedidos que outros, o que é perfeitamente compreensível dada a natureza do negócio. Contudo, isto afeta diretamente o desempenho financeiro. Para reduzir essa volatilidade de receita, a Apple vem investindo em seu portfólio de serviços. Com mais de 1 bilhão de devices em uso, ela tem uma base de usuários invejável que fornece mercado para seus serviços, como o Apple Music, Apple Pay, iTunes, iCloud e outros mais.

       Em 2016, a Apple faturou mais de US$ 24,37 bilhões com serviços, que hoje representam sua segunda maior fonte de receita, atrás somente do iPhone. De acordo com o analista do CreditSuisse, KulbinderGarcha, a receita com serviços deve dobrar nos próximos três anos. Essa estratégia segue uma tendência no âmbito das empresas de tecnologia, que investem em serviços por oferecerem margens maiores, menor risco e proverem fluxos de caixa equilibrados.

       Um maior engajamento na geração de receita proveniente de serviços vem acompanhado de uma segunda frente: conteúdo original. Hoje, a Apple se dedica a fornecer plataforma para conteúdo de terceiros, mas isso vai mudar. Seguindo a Amazon e a Netflix, a companhia pretende dispor US$ 1 bilhão ao ano para sua divisão de produção cinematográfica, segundo o Financial Times.

       Sob o olhar da administração financeira, a Apple anunciou em abril de 2016 um programa de aumento de retorno do capital, que inclui a recompra de US$ 140 a 175 bilhões em ações e o aumento de pagamento de dividendos trimestrais de US$ 0,52 para US$ 0,57 por ação. Essas medidas devem aumentar a atratividade da companhia e, consequentemente, a remuneração dos investidores.

      Com uma operação sólida, imensa vantagem competitiva, boas perspectivas de mercado e decisões de investimento assertivas, a gigante do Vale do Silício tem história e potencial para alcançar US$ 1 trilhão em valor de mercado num futuro próximo. Tim Cook e companhia têm tido sucesso em manter a cultura de inovação tão venerada por Steve Jobs, que permitiu à Apple conquistar a posição de maior companhia do mundo. Apesar dos desafios e incertezas inerentes a qualquer negócio, a Apple tem demonstrado capacidade administrativa e técnica para gerenciar os percalços da evolução tecnológica a seu favor e gerar valor aos seus acionistas.

 

        Artigo publicado em dezembro/2017 na 19ª edição da Markets St.

 

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