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Um bom exemplo de sucesso

     Receitas em crescimento em todas as operações, posição de hedge favorável que ocasiona lucros exorbitantes, planos de intensificar a expansão internacional, setor economicamente estável e com apenas uma concorrente grande, porém com espaço para crescimento de ambas. Todos esses fatores, em uma primeira análise, ilustram uma empresa que deveria estar com alta constante no preço de suas ações. Entretanto, o ticker JBSS3 tem apresentado uma grande queda desde o fim do 3º tri de 2015, saindo de R$17,20 em Setembro/15 para R$10,05 em Fevereiro/16 e, assim, refletindo, principalmente, as impressões do mercado frente às polêmicas recentes do grupo J&F.

     Fundada em 1953, com a criação da JBS, a J&F Investimentos deu o primeiro passo para tornar-se um grande conglomerado em 1980, com a criação da Flora, empresa de higiene e limpeza do grupo. Ao final do século 20 e na primeira década do século seguinte, a J&F realizou diversas aquisições (como as operações de carne bovina da Sadia e a Swift Company), chegando a realizar IPO da sua principal empresa, em 2007, o maior do período.

     Nos últimos 10 anos, o grupo continuou pisando forte no acelerador frente à expansão: as empresas do grupo passaram por grandes investimentos e/ ou fizeram novas aquisições; o grupo, por sua vez, também incorporou empresas de outros segmentos: adquiriu a maior parte das ações da Vigor (hoje, possui quase 80% delas), lançou o Banco Original (união do banco JBS e do banco Matone, o resultado é uma instituição focada em empréstimos para o setor de agronegócio), comprou o Canal Rural (canal conhecido no meio da agropecuária), inaugurou a Eldorado Celulose (maior fábrica de celulose de fibra curta do mundo) e, no final de 2015, anunciaram a compra da Alpargatas (controladora da Havaianas, uma das principais marcas de sandálias do mundo, além de outras empresas do ramo de calçados) por quase 3 bilhões de reais.

     Ainda que o desempenho seja animador, o grupo tem sido colocado sob suspeita para o mercado em função dos avanços de diversas investigações do Tribunal de Contas da União e da Polícia Federal, se envolvendo em polêmicas que envolvem desde transações financeiras proibidas, pagamento de propinas, empréstimos suspeitos com o BNDES e, também, más condições de trabalho para seus funcionários.

     No último trimestre de 2015, a JBS foi obrigada a pagar R$1 milhão em danos morais para os 270 funcionários de instalações da companhia em Alta Floresta, Mato Grosso. Ainda no mesmo período, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou prejuízos de cerca de R$850 milhões para o BNDES em função de operações com o conglomerado (empréstimos de cerca de R$8,1 bilhões), citando, inclusive, a alteração de regras contratuais para que o Banco Nacional de Desenvolvimento adquirisse ações do frigorífico com preços bem acima do mercado.

     No ramo da política, a CPI (Comissão Parlamenta de Inquérito) levantou suspeitas recentes com relação à possível pagamento de propina para o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, em troca de incentivos fiscais no Mato Grosso. Além disso, as altas quantias de dinheiro doadas para campanhas eleitorais levantam suspeitas frente às operações da companhia.

     Na última semana de Janeiro de 2016, denúncias que dizem respeito a trocas de chumbo (operações triangulares envolvendo instituições financeiras de diferentes grupos econômicos e empresas dos conglomerados) envolvendo os bancos Rural e Original, em 2011, tornaram o presidente da JBS e alguns diretores do grupo J&F réus. Investigações da Operação Lava Jato, por sua vez, sugerem que o grupo tenha pago propinas à um ex-diretor da Petrobras por diversas vezes.

     Ainda que os números das companhias do grupo sejam excelentes e que todas possuam boas expectativas de crescimento e evolução, é nítido que a sequência de polêmicas que vêm vindo à tona tem prejudicado a visão do mercado frente as mesmas e, se as coisas continuarem na mesma progressão, é possível que o grupo J&F, representado no mercado pelas ações da JBS, sofra uma derrocada similar às sofridas por Petrobras e BTG Pactual recentemente.

 

     Artigo publicado em março/2016 na 12ª edição da Markets St.

 

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