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O que faz o Brasil ser Brasil

04/11/2015

   Estamos enfrentando uma das maiores crises de nossa história desde a proclamação da república. A expectativa que aflige muitos economistas é a de uma nova década perdida que vem pela frente. Mas o que aconteceu? Estávamos entre os países que mais cresciam, Jim O’Neill (economista do Goldman Sachs) apostava todas suas fichas nos preciosos BRICs e o mercado olhava para o Brasil com bons olhos. Com o tempo fomos decepcionando a todos que acreditavam no potencial do maior país da América do Sul e um dos mais ricos do mundo em questão de recursos naturais.
     No nem tão longínquo ano de 2009, nossa querida estátua do Cristo Redentor se tornou capa do renomado periódico The Economist com um ousado título de dar orgulho até ao mais descontente dos brasileiros: “Brazil takes off”. Quatro anos depois e o mesmo Cristo Redentor apareceu de forma bastante diferente do que o da capa anterior. Agora, a estátua, que antes estava decolando de forma perfeita, aparece descontrolada e o título já não é tão animador: “Has Brazil blown it?”.
     A discussão do que aconteceu no meio do caminho é vasta e tem colocado diversas correntes de pensamento em conflito. Nossa única certeza é que as coisas estão piores do que imaginávamos. Com o câmbio em disparada e sem ninguém saber onde o dólar vai parar é fácil entender porque as empresas exportadoras estão performando muito bem em uma bolsa de valores em constante queda. Essa tendência parece que veio para ficar, pois nossa indústria está cada vez mais sucateada e nosso mercado interno cada vez mais enfraquecido, causando uma severa crise nos setores que dependem dos mesmos. O que era antes motivo de orgulho para o Partido dos Trabalhadores, tornou-se um verdadeiro pesadelo.
     Deixemos de lado por um instante a economia internacional. O Brasil é apenas 120º melhor país para se fazer negócios, sendo superado por países como Honduras, Egito e Paraguai. Tendo isso em mente, devemos adentrar onde o consumidor não vê: na produção da empresa, para conseguirmos entender nossa incapacidade de inovar e de melhorar. Segundo o excelente livro Competition Demystified de Bruce Greenwald, o momento ideal para uma empresa pequena enfrentar uma gigante é no momento de crescimento do mercado, pois é nesse momento em que os ganhos de escala da gigante se tornam menores em relação aos ganhos da pequena empresa, dando uma oportunidade para que a mais eficiente, mesmo sendo a menor, comece a ganhar market share da gigante ineficiente. No Brasil ocorre exatamente o oposto, pois os altos custos burocráticos, os injustos e demasiadamente altos impostos , o tempo necessário para abrir uma firma e o excessivo favorecimento das líderes de mercado tornam a criação de novas empresas muito menos viáveis do que deveriam ser. Além disso, nosso governo tem o péssimo hábito de ficar socorrendo empresas gigantes e ineficientes que simplesmente não precisam ou não devem ser socorridas em momentos de crise. Um dos muitos exemplos são as montadoras que se recusam a ajustar-se ao livre mercado abaixando o preço dos automóveis que produzem em momentos de queda de demanda. Por que elas fazem isso? Porque elas sabem que o governo permitirá que elas continuem eternamente ineficientes e com lucro bem acima do que tem em qualquer lugar do mundo. Vale lembrar que simplesmente por gastarmos mais em um produto não impulsionamos a economia. O dinheiro economizado com um carro mais barato seria gasto em outros produtos, aqueceria outros setores ou até mesmo seria poupado e utilizado para investimento.
     A verdade é que ficamos comemorando um período de pujança que, como em toda crise, acreditávamos ser eterno e esquecemos de fazer a lição de casa. A China não demandará mais tanto as commodities tupiniquins e, como disse Michael Pettis para o Valor Econômico na edição de 25 de setembro, o Brasil errou ao priorizar esse tipo de economia. “O preço das commodities em alta é como cocaína”, afirma o professor da Universidade de Pequim. Nossa nação tornou-se muito dependente de um país engessado por uma ditadura e um regime com poucas instituições inclusivas. Até que ponto era possível que o exército de copiadores de patentes da China pudesse manter a gigante economia de Mao Tse Tung na liderança? Agora começamos a perceber nosso erro.
     Fica claro que se não fizermos nada para aumentar nossa competitividade através de mudanças estruturais realmente eficientes, nosso país será sempre o Brazil, um simples exportador de commodities extremamente dependente das economias centrais, e jamais o Brasil, uma economia líder e muito mais independente da economia internacional do que deveria ser. Enquanto isso, continuamos tendo pneumonia a cada gripe que aflige a economia internacional.

 

 

     Artigo publicado em novembro/2015 na 11ª edição da Markets St.

 

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