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FOMC, taxa de juros e mercado financeiro

06/11/2015

       O Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, mais conhecido como “Fed” (abreviação de “Federal Reserve”), é o banco central do país, o qual foi criado em 1913. Dentre os principais objetivos de política monetária, estabelecidos pelo Congresso, estão: máximo emprego, preços estáveis e juros moderados de longo prazo. A partir de 2009, também passou a ser responsabilidade do Fed a supervisão e regulamentação dos bancos. Destaca-se que ele possui componentes públicos e também privados, servindo aos interesses tanto do povo, em geral, como dos banqueiros privados. Como componente do Fed, há o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC na sigla em inglês), que é o principal órgão norte-americano de política monetária nacional.
     No dia 17 de setembro de 2015, houve uma reunião do Comitê, na qual, ao contrário do que muitos esperavam, seus membros decidiram manter a taxa de juros do país entre 0% e 0,25% – o controle da taxa é feito por meio da compra ou venda de títulos do governo. De acordo com o comunicado de imprensa divulgado, tal decisão justifica-se por conta dos “recentes eventos financeiros e econômicos globais que podem restringir de alguma forma a atividade econômica”, sendo condizente com a busca do Comitê de “fomentar o máximo emprego e a estabilidade de preço”. O intuito do Fed é que a inflação, que atualmente é de 0,2% ao ano, aproxime-se da meta ótima de 2% no médio prazo.
     No comunicado de imprensa, o FOMC afirma que as informações recebidas sugerem que a atividade econômica  está crescendo em um ritmo moderado, bem como os gastos das famílias e os investimentos das empresas. O setor de construção e o mercado de trabalho também melhoraram, Contudo, houve queda dos preços da energia e das matérias-primas, as exportações foram fracas e a inflação está abaixo do objetivo de longo prazo do Comitê. A presidente do Fed, Janet Yellen, falou também sobre a preocupação da organização com o fraco crescimento da China e de outros países emergentes, como o Brasil, e de como esses fatores, somados à valorização do dólar, podem afetar a atividade econômica dos Estados Unidos.
     A decisão do Fed, vista por muitos como evidência da possível vulnerabilidade norte-americana frente ao fraco crescimento da China e de outros mercados emergentes, levou a uma forte desvalorização nas ações americanas. A foto abaixo mostra o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) do dia 18 de setembro. Bancos e gestores de ativos, que iriam se beneficiar da elevação das taxas de juros, contribuíram fortemente para essa queda. Entre os que apresentaram maior queda estão Goldman Sachs Group e o JP Morgan Chase, que caíram 3% e 2,7%, respectivamente. Além desse índice, o S&P e o Nasdaq Composite também fecharam em queda.
     Taxa de juros ascendente, geralmente, beneficia os bancos, pois elas costumam acompanhar forte crescimento econômico e tendem a ampliar a diferença entre as taxas que os bancos cobram sobre empréstimos e as taxas que eles pagam para depósitos, de modo a impulsionar os ganhos. Considerando que manter os juros baixos tem sido a estratégia do Fed desde 2008, quando ocorreu uma forte crise financeira, o presidente e CEO do Bank of America (BofA), Brian Moynihan, afirmou que, se a receita diminuir ou as taxas de juros não subirem e a economia enfraquecer, o BofA vai precisar reduzir mais custos, ou seja, haverá mais demissões – desde o segundo trimestre de 2011, Moynihan reduziu a força de trabalho do banco em quase 25%.
     O alívio gerado pela ausência de mudança da taxa foi insuficiente para segurar o valor do real diante da expectativa de mais um possível rebaixamento do grau de investimento do Brasil, dessa vez pela agência Fitch, possibilitando que a cotação do dólar passasse dos R$4,00 e superasse (no dia 22 de setembro de 2015) a máxima histórica de outubro de 2002. Apesar do FOMC ter mantido as taxas, as dúvidas quanto ao rumo da política norte-americana persistem, continuando a gerar desvalorização de commodities e das moedas dos países que as produzem e exportam.

 

     Artigo publicado em novembro/2015 na 11ª edição da Markets St.

 

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