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A nova China

     Possui quase um quinto da população mundial. É um dos cinco países com maior quantidade de área total do mundo e dono de uma muralha de cerca de 25 quilômetros de extensão ao longo de seu território. Os fatores citados são suficientes para comprovar que a China é um país de destaque no cenário internacional, porém, não é por conta deles que o país asiático tornou-se referência na política econômica mundial.
     Desde 1949, ano da fundação da República Popular da China, o sistema político-econômico adotado no país era a economia planificada do socialismo. Ainda que seja governada pelo Partido Comunista da China desde aquela época, o modelo da economia do país passou por uma série de reformas desde 1978.
     As mudanças na economia do país consistiram, principalmente, na abertura da economia para o capitalismo, tornando a China uma grande potência econômica baseada na mão de obra barata, que proporcionava às empresas baixos custos para produção, e, consequentemente, na exportação. Esse modelo mostrou-se eficiente por diversos anos e fez com que os chineses obtivessem um crescimento acelerado por mais de 20 anos (o PIB cresceu, em média, 10% ao ano e a renda per capita, 8%), tornando a China a segunda maior economia do mundo, apenas atrás dos Estados Unidos da América. Além disso, trouxe ao país diversos notáveis aspectos, como: a redução do número de pobres do país (agora menos de 10% da população vive abaixo da linha da pobreza) a terceira maior expectativa de vida do leste asiático (73 anos); e o país tornou-se o segundo maior consumidor de bens de luxo do planeta (27,5% da quota global).
     A partir de 1990, a China adotou um modelo de crescimento econômico voltado para as exportações, com altas taxas de investimento e com redução da participação do consumo no PIB. Um estudo coordenado pelo IBREFGV indica que entre 1997 e 2012 a taxa de investimento foi de 37% para 48% do PIB, enquanto a participação do consumo no PIB recuou de 45% para 36%.
     O modelo voltado para as exportações gerava um crescimento impressionante, mas era insustentável. A China antes da crise do Subprime vendia seu excedente aos EUA, e, após a crise e o recuo na demanda nos EUA, passou a necessitar de outro mercado que pudesse absorver as suas exportações. Em um cenário econômico de menor crescimento mundial, liderado pela estagnação europeia e o fraco crescimento da América Latina, o modelo de exportação chinês começou a se esgotar. Com isso, investimento e exportação começaram a cair, e o novo motor da economia chinesa passou a ser o consumo interno.
     Para aumentar o consumo interno, a China optou por uma política de valorização dos salários, o que, por outro lado, tornou os produtos chineses menos competitivos no âmbito mundial. Soma-se a isso, uma menor demanda mundial o que fez com que as exportações chinesas em julho desse ano caíssem cerca de 8%.
     Sob essa perspectiva, a desvalorização recente do yuan ocorre devido a três motivos: a necessidade de reajuste do preço da moeda, tendo em vista que a sua indexação ao dólar neste ano gerou uma apreciação indesejada uma tentativa governamental de reduzir o impacto da desaceleração das exportações chinesas e, por fim, um desejo do governo chinês de tornar o yuan uma divisa internacional, juntando-se ao grupo de moedas com direitos especiais de giro do FMI.
     Com a desvalorização do yuan, o Banco Central chinês endossou o afrouxamento monetário ao cortar em 0,25% a taxa de juros e reduzir em 0,5% a taxa de depósito compulsório, injetando liquidez na economia. Os impactos da desaceleração chinesa geram consequências globais.
     Em 2014 a China foi responsável por cerca de 38% do crescimento econômico mundial. Somente esta informação é suficiente para compreender o pânico gerado no mercado financeiro global com as últimas noticiais chinesas. A preocupação do mercado financeiro com que a desaceleração chinesa seja mais rápida do que o FMI previu, gerou pânico no Mercado financeiro em todo o globo. A Black Monday em 24 de agosto gerou perdas de mais de 8,45% na bolsa chinesa, e espalhou o temor pelo mundo, derrubando as bolsas europeias, asiáticas e norte americanas.
     A reorganização chinesa implica em uma menor demanda por commodities, fato que tem derrubado o índice global desses produtos e, também, afetado países exportadores como Brasil, Rússia e Venezuela. Além disso, é possível relacionar a desvalorização do yuan como prejudicial à indústria norte americana, o que impactou na decisão do FED (Banco Central Americano) de não elevar a taxa básica de juros da economia norte americana. Apesar da preocupação do mercado, a China mostra preparo para enfrentar a turbulência financeira: possuem valores que compõem a maior reserva de moeda estrangeira do mundo (mais de 3 trilhões de dólares) apesar da desaceleração de seu crescimento, o país ainda possui um crescimento considerável (cerca de 7% ao ano, segundo dados do Governo) e um mercado interno com consumo crescente.
     Tais fatores reforçam o fato de que a China não está em crise, conforme diz Roberto Dumas, um dos maiores especialistas em economia chinesa do Brasil e professor do Insper, que é categórico ao afirmar: “A China não está em crise mas, sim, passa por um processo de rebalanceamento econômico, subproduto de uma política pública”.

 

     Artigo publicado em novembro/2015 na 11ª edição da Markets St.

 

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