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A estagnação secular

06/03/2016

     Em 2013 o Secretário do Tesouro norte-americano, Larry Sumers, cunhou o termo ‘’estagnação secular’’ – expressão que designa longos períodos de baixo crescimento em geral com juros baixos e deflação. Os recentes choques de volatilidade que os mercados financeiros mundiais têm sofrido, podem indicar que estamos próximos da nova era da desaceleração mundial.

    Durante a crise do Subprime a economia mundial foi sustentada pelo forte crescimento dos mercados emergentes, liderados pelo robusto crescimento chinês, que impulsionou países exportadores de commodities.

     Ao longo da recuperação econômica dos EUA, a locomotiva mundial foi puxada principalmente pelos antigos BRICs. Com altas taxas de crescimento, tais países conseguiram manter o mundo nos trilhos, enquanto Estados Unidos e Europa corriam o risco de descarrilar.

     Desta vez, o cenário mundial é completamente diferente.

     Ásia

     A China passa por um momento de desaceleração e rebalanceamento de sua economia. Enquanto no auge da crise do Subprime o país crescia em torno de 12%, em 2015 cresceu 6,9%, o menor valor dos últimos 25 anos. Os temores no mercado financeiro de que ocorra um Hard Lending da economia chinesa servem para alimentar ainda mais a incerteza em relação ao país. Somente em junho do ano passado a bolsa de valores chinesa caiu cerca de 30% e neste ano houve pela primeira vez um Circuit- Breaker, que é quando o pregão da bolsa é interrompido devido à queda brusca do índice.

     A economia Russa foi diretamente afetada pela desaceleração chinesa. A excessiva dependência econômica da Rússia em relação às exportações de petróleo, faz com que o país esteja sujeito às flutuações das cotações do petróleo. Entre 2012 e 2016 o preço caiu cerca de 70% chegando em 2016 a ser cotado abaixo de U$ 30,00. Soma-se a isso ao fato de o país estar sofrendo sanções econômicas do mundo ocidental devido ao seu conflito com a Ucrânia, o PIB do país caiu cerca de 4% no ano passado e deve seguir mesmo ritmo neste ano.

     Japão

    Recentemente, o Banco Central Japonês anunciou pela primeira vez no país que as taxas de juros estão em terreno negativo. Com essa medida, o Banco central japonês tenta estimular os bancos comerciais a reduzirem a quantidade de moeda que deixam sob poder do banco central, para que coloquem este dinheiro em circulação na economia. Com isso, eles visam estimular o consumo e acabar com a deflação, que é responsável pela estagnação da economia japonesa.

     Europa

    A partir do final de 2009, com o inicio da Crise da dívida pública que atingiu países como Grécia, Espanha e Portugal, a Europa passa por momentos delicados. O inicio do socorro financeiro a estes países envolveu pacotes de cerca de 300 bilhões de euros. Entretanto, o pacote financeiro foi condicionado a severas medidas de austeridade impostas à estes países para evitar novamente o descontrole das contas públicas. A Europa ainda não se recuperou completamente da crise. O Banco Central Europeu continua com as políticas de Quantitative Easing, com a compra de títulos públicos para inserir mais moeda na economia, incentivando o consumo para afastar o risco de deflação que assola o continente.

      EUA

  Sean Snaith, diretor do Instituto de Competitividade Econômica da Universidade da Flórida, afirma ’’A toxicidade do ambiente econômico global é a maior ameaça aos EUA’’. De acordo com recente pesquisa do Wall Street Journal, o risco de recessão nos próximos 12 meses para os EUA é de 21%, exatamente o dobro do que era um ano atrás. Fatores como a valorização excessiva do dólar, tem afetado o desempenho da indústria, que soma perdas. A média industrial Dow Jones já caiu cerca de 14,48% desde o ano passado e a expectativa da criação de empregos caiu de 2,4 milhões para 250 mil.

     O cenário mundial de 2008 para cá mudou e cada vez mais é possível perceber o enfraquecimento da economia global. Em 2008, a crise foi parcialmente contida, pois a força dos mercados emergentes a atenuou, mas é evidente que caso ocorra outra crise de magnitude semelhante, a economia mundial deverá sofre consequências mais graves.

 

     Artigo publicado em março/2016 na 12ª edição da Markets St.

 

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