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Burger King Brasil

26/05/2018

Análise Setorial: Foodservice

 

       O Burger King Brasil atua no segmento de foodservice, mais especificamente no de Burger fast-food. Para entender o posicionamento competitivo dessa companhia é preciso, primeiro, compreender o funcionamento do mercado alimentício no país e o padrão de consumo e alimentação dos brasileiros.

     Primeiramente, o consumo per capita de burger fast-food no Brasil é baixo se comparado ao de países mais desenvolvidos como Estados Unidos e Canadá; Segundo IFB, somente 30% dos consumidores comem, regularmente, fora de suas casas. Tal fato indica que esse segmento tem grande potencial de crescimento nos próximos anos, com o aumento dos salários reais e crescimento do PIB.

     Além disso, é preciso ter em mente que o mercado de fast-food brasileiro é bastante fragmentado e informal. Do total de estabelecimentos no Brasil, somente 9% correspondem às cadeias de fast-food, enquanto em países como os EUA esse valor chega a 50%. Apesar de tudo, o mercado de burger fast-food brasileiro é bastante concentrado, já que as três maiores redes possuem, somadas, um market share de 96,7%. Ademais, esse segmento ainda possui baixa penetração, representando 1,5% do total de restaurantes de fast-food, novamente mostrando o potencial do segmento, que apresentou um CAGR de 14% entre 2011 e 2016. É importante ressaltar, também, que o consumo per capita de burger fast-food no Brasil é baixo se comparado ao de países mais desenvolvidos como Estados Unidos e Canadá, indicando grande espaço para consolidação e crescimento das principais redes.

     Entre os principais drivers do setor está a quantidade de pessoas que moram sozinhas; no Brasil, esse valor corresponde à 14% das residências - nos EUA esse era o número em 1964. Essa base de clientes tende a comer fora de suas casas com maior frequência tanto por questões de conveniência quanto por razões sociais, o que impacta diretamente no desempenho das companhias do segmento de foodservice.

 

Análise da Empresa: Burger King Brasil

 

    A Burger King Brasil Operação e Assessoria e Restaurantes S.A é o máster franqueado da Burger King Corporation no Brasil e detém a exclusividade de direitos para administrar e desenvolver a marca BURGER KING no país. Assim, a companhia tem a liberdade de gerir a estratégia de posicionamento de mercado e marketing no Brasil, o padrão dos restaurantes, de organizar o portfólio de produtos e gerir o sistema de franquias brasileiras. Suas atividades se iniciaram em 2011 e, desde então, o número de restaurantes da rede passou de 139 para 628 no começo de 2018, o que a levou a conquistar um market share no segmento de hambúrgueres de 31,6%. Durante esse período a companhia também buscou desenvolver o reconhecimento de sua marca, a qual já chega a 96% nas maiores cidades do país.

      Quanto ao seu sistema de franquias, o BKB opera sob dois sistemas, sendo um de franqueados e o outro de sub-franqueados. Em 2011, quando iniciou suas operações, havia cerca de 140 lojas franqueadas no país, excluindo quiosques, e após uma série de aquisições por parte do BKB, esse número chega a 122 em setembro de 2017. Já o sistema de sub-franqueados surgiu em 2016 e desde então o número de lojas chegou a 25.

     O BKB atua, basicamente, através de cinco diferentes tipos de lojas. Entre os que valem ser destacados estão os freestanding, food courts e quiosques. Os freestanding são restaurantes de rua com drive-thru que apresentam o maior faturamento por loja da rede, com um custo médio de construção de R$ 3,0 milhões; nos últimos anos a abertura anual média desse tipo de loja foi de 15 unidades. Já os food courts são restaurantes de Shopping Centers, em praças de alimentação, com custo médio de construção de R$ 2,0 mi. Como a abertura desse tipo de loja da marca Burger King já se encontra saturada, é esperado que o número anual médio de aberturas passe de 45 para 20. Os quiosques, por fim, são unidades pequenas focadas na venda de sobremesas, com baixo custo de construção e margens a cima da média da companhia.

     A principal estratégia da companhia para os próximos anos será a de se expandir através dos modelos de restaurante com maior potencial de crescimento e rentabilidade. Por esse motivo, é esperado que o foco da companhia para os próximos anos esteja na abertura de freestandings e quiosques. O BKB buscará, também, oportunidades de aquisições estratégicas tendo, após a realização de seu IPO, destinado cerca de 45% desse recurso para a aquisição de 51 lojas de um de seus franqueados, transação essa concluída em abril. Fora isso, a empresa pretende inovar em termos tecnológicos, desenvolvendo aplicativos e plataformas digitais, instalando totens de pedidos e expandindo as suas operações de delivery, que hoje está presente em cerca de 60 de seus restaurantes.

     Indo para uma análise das principais concorrentes da companhia, um agente que não pode ser deixado de lado é o McDonald´s, o qual apresenta, historicamente, uma margem EBITDA no Brasil mais alta que o Burger King. Isso acontece, pois: (i) a rede consegue diluir mais seus custos e despesas (COGS & SG&A), já que tem um número maior de lojas; (ii) suas lojas se encontram em um estado de maior maturidade e portanto suas vendas por loja são maiores; (iii) ticket médio dos consumidores no McDonald´s é maior, especialmente nos quiosques da companhia, que fazem mais sucesso que os do Burger King (iv) possui cerca de 12 vezes mais quiosques que o Burger King, aproximadamente 1.500; (v) detém a maioria dos terrenos em que opera, diferente do BKB que paga aluguéis constantemente.

     Mesmo assim, o Burger King tem sido capaz de diminuir as distancias entre ele e seu principal concorrente, fazendo com que fosse ampliado nos últimos anos o reconhecimento de marca, market share e preferência do cliente. Grande parte disso é responsabilidade de uma equipe de marketing bastante competente, alinhada a um Management experiente, que atua na companhia desde o início de suas operações. Ainda assim, o McDonald´s se mostra como uma forte ameaça ao BKB, ainda mais após a divulgação de sua estratégia para os próximos anos, em que investirá, até 2019, cerca de R$ 1bi em novas lojas e na modernização das já existentes.

     Apesar de todo o potencial de crescimento da rede Burger King no Brasil, tanto pela força da marca, quanto pelas perspectivas de crescimento do setor, o preço da ação da companhia, desde a publicação desse texto, não superou o preço de RS 18,00; valor este do IPO do BKB. Parece que o mercado não se iludiu muito mesmo depois de a companhia anunciar seu primeiro lucro líquido positivo em 2017. Apesar disso, é bom ficar de olho nesse case, dado a possibilidade de que, no longo prazo, o BKB consiga convencer o mercado da sua capacidade de criar valor para seus acionistas, tendo assinado, em março, um acordo para ser o máster-franqueado da rede de fast-food Popeyes, com previsão de abertura de lojas já para o final de 2018. Essa é uma rede focada na venda de frango frito, o que, por sua vez, abre todo um novo horizonte para a companhia.

 

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