Arezzo&Co

28/04/2018

Análise Setorial: Moda Calçadista

 

     Para conhecer uma empresa, primeiramente, é necessário saber em que mercado está inserida e como se comporta esse mercado. Uma análise setorial, portanto, faz-se necessária para conhecer os fatores externos que influenciam uma empresa, os chamados “drivers”, e os riscos aos quais ela está exposta.

     A Arezzo&Co encontra-se no mercado de moda calçadista, segmento do varejo calçadista no Brasil. Sua dinâmica de mercado, no entanto, diferencia-se daquela do varejo comum de calçados, uma vez que seus produtos possuem design mais arrojado e maiores preços, atingindo um diferente público-alvo. Posicionada, portanto, na venda de calçados, bolsas e acessórios para as classes A e B, a companhia compete diretamente com empresas como Corello, Carmen Steffens, Santa Lolla, Dumond, Capodarte e outras. Como foca num público que, mesmo durante a crise econômica, não sofreu com significativa perda de poder aquisitivo, a companhia necessita de um forte “branding” - criado por meio de ações de marketing, do oferecimento de prazerosa experiência de compra e de produtos caracterizados pela excelência -, cujo objetivo é fidelizar o consumidor. E empresa tem se mostrado bem sucedida nesse sentido. Afinal, segundo a própria Arezzo&Co, a companhia possui 12% do market share do setor de calçados, bolsas e acessórios, despontando como líder do setor.

     Por fim, dentre os “drivers” macroeconômicos que mais influenciam as vendas da Arezzo&Co, estão a renda per capita, principalmente das mulheres, e fatores que influenciam a renda disponível para consumo da mulher, como queda da taxa de fertilidade, além da mudança do posicionamento social da figura feminina, assegurando maior independência em suas decisões, inclusive nas de compra.

 

Análise da Empresa: Arezzo&Co

 

     A avaliação de uma empresa tem como principal objetivo conhecer a empresa em seus pormenores, qualitativa e quantitativamente, de forma a se ter base para formular uma tese de investimento. Para tanto, faz-se necessário o conhecimento de toda a operação da companhia, de quem a controla e de quem a gerência e de quais são suas vantagens competitivas e/ou deficiências.

     Criada em 1972 por Anderson Birman, hoje a companhia é formada por seis marcas - Arezzo, Shcutz, Anacapri, Fiever, Alexandre Briman e Owme (que inaugura sua primeira loja em 03/05) – e atua em vários nichos do setor calçadista, mas foca-se em atender às classes A e B. A Arezzo, marca “top of mind” e responsável por 57,3% da receita da companhia, é conhecida por ser democrática, atendendo a diferentes faixas etárias. A Schutz, marca criada por Alexandre Birman, filho de Anderson, vem em seguida e tem proposta ousada, com calçados atraentes e diferenciados. Criada em 2008, a Anacapri enfoca nos produtos “casuais”, especialmente nos sapatos flats, enquanto a Alexandre Birman, também criada em 2008, é uma marca de grife, cujos produtos são feitos de forma artesanal, usando matérias-primas de primeira qualidade. Por fim, a sexta marca, Owme, volta-se para o conceito de bem-estar e conforto.

     A Arezzo&Co, além de ter seis marcas, atua em vários canais: lojas próprias, franquias, multimarcas, e-commerce e mercado externo. Isso confere à companhia flexibilidade que seus concorrentes não apresentam; afinal, sendo multicanal e multimarca, a companhia pode diversificar suas fontes de receita. Mas, vale observar que, até os produtos da companhia estarem disponíveis para os consumidores nas respectivas marcas e canais acima citados, existe um cuidadoso processo para que a marca entregue a sua proposta de valor: produtos que despertem o desejo de compra no consumidor. Todo esse processo se inicia com a pesquisa das tendências de moda no continente Europeu, em feiras nas grandes capitais da moda. Posteriormente, o time de P&D retorna ao Brasil e copia as tendências observadas, com adaptações, caso necessário, produzindo, então, um protótipo. Nesse contexto, são definidos o custo e o lucro unitário do produto. O protótipo é, em seguida, entregue às fabricas independentes, às quais a companhia terceiriza a produção dos sapatos. Estas entregam ao Centro de Distribuição localizado no Espírito Santo – região em que a companhia possui isenção de ICMS -, de onde é escoado para as lojas, para a venda por e-commerce e para o mercado externo.

     A companhia pode ser dita como uma gestora de cadeia produtiva, focando nos pontos de geração de valor da cadeia: concepção do produto, branding e experiência de compra e terceirizando o restante – 91% dos produtos são fabricados por terceiros. Além deste conceito de gestão, característico do “Fast Fashion”, a companhia preza por um curto “lead time” (tempo decorrido entre concepção do produto até chegar à loja) - de, em média, 4 a 6 semanas. Isto permite que a Arezzo&Co seja responsiva ao mercado e ao comportamento de consumo de seus clientes, assim como captar tendências. Desta forma, a Arezzo&Co diversifica seu risco entre várias coleções, tendo em média 20 ao ano, e, mesmo em caso de um grande erro em alguma coleção, a companhia possui um caixa robusto de R$337 milhões, além de baixo endividamento, de apenas R$181 milhões, resultando num Dívida/Ebitda de -0,8x.

     Destaca-se que a companhia encontra-se em constante expansão, seja por meio de novas marcas ou novos canais. Atualmente, as principais avenidas de crescimento da Arezzo&Co são a Anacapri -com agressiva expansão do número de lojas –, a expansão para os EUA com a marca Schutz, o aumento da capilaridade da Arezzo com o projeto Arezzo Light e a nova marca, a Owme. Para a análise da empresa, faz-se importante também atentar para a qualidade e o conhecimento técnico da gestão, responsável por tomar as decisões estratégicas da companhia. A Arezzo&Co é controlada por Anderson e Alexandre Birman, pai e filho que, juntos, possuem mais de 50% do capital votante da companhia. Ambos são extremamente ligados à companhia e suas decisões passadas mostram seu alinhamento em gerar valor para a companhia sem prejudicar o acionista. Já, na gerência, os principais nomes são, além de Alexandre Birman (CEO), Daniel Levy (CFO e Diretor de RI), Alessandro Carlucci (Presidente do Conselho de Administração) e Alex Michail (COO EUA), profissionais de grande experiência, tendo sido contratados recentemente para a gestão da companhia, principalmente para a expansão para os EUA.

    A Arezzo&Co, portanto, mostra-se uma companhia robusta, com um posicionamento claro sobre o que faz e como o faz, preocupada com a constituição de gestão competente e com a busca por novas formas de crescer de modo financeiramente sustentável.

 

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