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Alpargatas S.A.

31/03/2018

Análise Setorial: Varejo Calçadista

 

     A análise de uma empresa inicia-se, na maioria das vezes, por uma profunda pesquisa acerca do setor em que a companhia em questão está inserida. O conhecimento qualitativo do negócio é de extrema importância para o entendimento dos números que descrevem toda a modelagem financeira da empresa. Com um sólido estudo a respeito do funcionamento das empresas dentro de um setor característico e dos “drivers” – fatores externos que influenciam a dinâmica empresarial e suas perspectivas de crescimento futuro, tem-se uma base de qualidade para obter uma conclusão final de investimento.

     A empresa Alpargatas S.A. está inserida no setor de varejo calçadista. O Brasil ocupava, em 2015, o 3º lugar em termos de produção mundial de calçados e o 4º lugar em termos de consumo mundial de calçados. No entanto, os países asiáticos costumam estar sempre à frente em relação aos dois termos. Por quê?

     O setor de varejo é altamente pulverizado, isto é, composto por inúmeras empresas que atuam neste ramo. Desta forma, a concorrência é acirrada e as barreiras de entrada – fatores que tornam difícil a entrada de uma empresa num segmento específico-menos incisivas. Sendo assim, tomando como exemplo a China, líder em produção e consumo mundial de calçados, tem-se que o país consolida sua posição de destaque a partir de uma produção em escala que diminui os custos marginais da empresa (e, consequentemente, reduz o ticket médio por par de calçados vendidos) e de um amplo mercado consumidor (tanto interno quanto externo).

     Logo, um dos drivers que influenciam a dinâmica das empresas inseridas no setor em questão é o crescimento do mercado calçadista asiático, uma vez que os players em atuação se fortificam numa produção em massa e intensamente voltada à exportação.

     Além disto, em níveis globais, a variação da taxa de câmbio também se consolida como fator de influência na produção e venda de calçados no Brasil. Com a moeda doméstica desvalorizada, os níveis de exportação de calçados tendem a crescer, estimulando a produção interna de pares.

     Por fim, analisando os polos de produção dentro do mercado nacional, tem-se que a maior parte desta se concentra na região Nordeste. Tal fato pode ser explicado pelas subvenções para investimentos concedidas pelos governos estaduais, onde as principais fábricas se localizam, além dos incentivos fiscais de imposto de renda.

 

Análise da Empresa: Alpargatas S.A.

 

     Após considerar todo o estudo qualitativo do setor o qual a empresa em questão está inserida, foca-se, agora, na análise do modelo de negócio da companhia em níveis mais internos. A ideia central consiste na formulação de uma tese de investimento, sustentada por pilares relativos à companhia que possam justificar uma conclusão final de compra ou venda da ação. O que faz com que a empresa seja passível de investimento? Em termos financeiros, o que reflete o crescimento desta? Este seria sustentável no longo prazo? O grupo de gestão alinha seus objetivos às expectativas dos acionistas? Essas e outras perguntas devem ser respondidas no percurso da análise empresarial, solidificando e tornando coerente a conclusão final.

     A Alpargatas S.A. é a maior empresa brasileira de calçados. Atualmente, a empresa posiciona sua estratégia de crescimento na gestão de marcas associadas a produtos universais e de qualidade garantida. Havaianas, Dupé, Topper Argentina, Mizuno e Osklen compõem o “centro” de marcas que conferem à Alpargatas dinamismo no negócio e elevada participação de mercado.

     A Havaianas, marca de maior geração de receita à Alpargatas S.A., é o “carro-chefe” da empresa. Criada em 1962, reflete, hoje, a expressão brasileira no mercado de calçados em nível mundial. Desde a produção de chinelos até a venda ao consumidor final, a Havaianas cumpre com seu objetivo de exclusividade e qualidade única no mercado. No último trimestre do ano passado, a Havaianas representava 63% da receita líquida dos negócios da Alpargatas S.A.

     Com um produto de borracha sintética, estilo simples e casual, a Havaianas conquistou o gosto do público e fortifica, desde então, sua estratégia no mix de marketing intenso, auferindo valor agregado ao produto. Através de pesquisas de campo realizadas recentemente, a Havaianas conta com a maior porcentagem em Top of Mind - conceito que reflete a primeira marca que vêm à cabeça dos consumidores brasileiros. Desta forma, a consolidação da marca atua como uma fortíssima vantagem competitiva à empresa perante os players no mercado. Em termos de volume de vendas (em milhões de pares), a Havaianas tem o equivalente ao triplo da concorrente Grendene e mais de 150 mil pontos de vendas espalhados pelo Brasil.

     Após conquistar o mercado interno com as “legítimas” sandálias, a Alpargatas S.A. se direcionou ao mercado externo, visando à internacionalização. Atualmente, as propostas para 2018 ambicionam o mercado global, com centros de distribuições em países desde a África até Ásia e Europa Meridional.

     Partindo das conclusões de Bruce Greenwald, em seu livro Competition Demystified, destacam-se mais duas vantagens competitivas que garantem à companhia liderança no setor. A primeira delas consiste em um market share estável, isto é, a parcela do mercado relativa à empresa. No caso da Alpargatas S.A., a Havaianas possui o maior market share em níveis constantes ao longo dos últimos cinco anos, seguida pela concorrente Grendene, que disputa com a marca Ipanema as fatias do mercado. Pontuando em números, admite-se o share da Alpargatas S.A., em termos de volume de vendas, em mais de 60%.

     Em segundo lugar, Greenwald afirma que, para uma empresa ser bem avaliada, deve apresentar rentabilidade crescente. Novamente, a Alpargatas S.A. conta com um ROIC (retorno sobre o capital investido) estável, por volta de 25% ao longo dos últimos anos. Além disso, apresenta uma margem EBITDA crescente – aproximadamente 18% – e forte geração de caixa.

     Por fim, a recente mudança do controle acionário da Alpargatas S.A., atualmente controlada pela holding ITAÚSA e as empresas Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, reformulou as propostas da companhia para 2018, intensificando a estratégica de inserção global da marca com o aumento das vendas internacionais até 2020. O novo grupo acionário controla um grupo de empresas com excelente track record, fortalecendo o discurso do CEO Márcio Utsch, que garante que a Alpargatas S.A. possua balanço saudável, marketing consistente e funcionários qualificados.

     Trata-se de um bom negócio, com projeções ambiciosas e perspicazes para o futuro e com números representativos e constantes ao longo dos últimos anos. Ainda, possui uma marca estruturada e sólida no mercado, responsável pela maior parcela de geração de receitas à Alpargatas S.A.

 

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